Mágoa Virtual

Imagem: Pinterest

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Quero falar sobre mágoa virtual. O “boom” das redes sociais tem proporcionado ás pessoas formarem suas “tribos” com pessoas das quais se em mais afinidade, com quem se compactua as mesmas visões, os mesmos ideais de vida. Ela proporcionou também que sejamos vistos, ouvidos e percebidos. E saímos do anonimato da vida moderna para o estrelato da vida virtual.

Mas o relacionamento virtual é imparcial, subjetivo, sem rosto… A internet nos proporciona uma grande poder de expressão muitas vezes sem limites. Eu falo aquilo que eu penso, sem fronteiras… Cada vez mais escrevemos sem pensar nas consequências, exageramos, e muitas vezes, desconsideramos os sentimentos do outro.

Começamos entusiasmados a nos relacionarmos. Ficamos até viciados nisso: esperando um comentário das nossas ideias, uma afirmação das nossas ideias, uma certeza de que estamos sendo realmente ouvidos e considerados.

Infelizmente, ainda não foi criado um sistema digital onde podemos mostrar a intensidade dos nossos sentimentos e intenções quando estamos escrevendo. As vezes o uso das palavras podem ter um efeito negativo. Mas essa também, não é nossa verdadeira cara, a nossa essência. Como mensurá-la?

A beleza dos relacionamentos humanos é a capacidade de perceber o outro: os nossos sentidos sensoriais nos proporcionam esta prática. Quando estamos diante do outro nos conectamos com ele através de suas ações: o olhar, o gesto, o tom de voz. Isso é algo que a máquina jamais poderá traduzir.

Precisamos nos preservar e nos preparar. Uma vez ingressos no mundo virtual, precisamos desenvolver certas habilidades de compreender o outro: sermos capazes de entender o contexto de uma expressão, de não levar para o nosso lado pessoal, o nosso momento, tentar “enxergar” esta pessoa além da tela à nossa frente.

Com certeza, é uma tarefa árdua. Pois a internet também é uma arma poderosa de escudo para nós. Nos protegemos atrás dos nossos computadores, se caso acendermos a ira de alguém. Simplesmentes deletamos ou bloqueamos pessoas.

A cultura da internet tem ensinado as pessoas a serem insensíveis, descompromissadas e cômodas. Eu não preciso mais “perder meu tempo” tentando entender o outro, tentando se passar por ele e entender o que ele está realmente sentido ao se expressar daquela maneira. E, eu não preciso ser solidário, não preciso me desprender da minha própria vida, desejo e conquistas para ter compaixão pelo outro. O outro é o outro, o que importa sou eu.

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E com isso, acumulamos a mágoa virtual. Mesmo sem conhecer uma pessoa concretamente, eu levo a mágoa de algo injusto que ela me disse. Pode ser que eu nunca venha a conhecê-la pessoalmente, mas eu despendo energia me magoando com ela…

O que de fato estamos fazendo conosco? Estamos nos preocupando em nos protegermos dessa mágoa desnecessária? Estamos dispostas a revaliar, questionar e argumentar quando nos sentimos ofendidas, do tipo: fulana, você quis dizer o quê realmente? Será que eu entendi isso? Ou aquilo? Será que podemos resolver isso?

Grandes amizades são geradas pelo ambiente virtual. Eu tenho dezenas delas.Pessoas que eu tenho um grande carinho e consideração sem aos menos ter visto, abraçado e conversado pessoalmente uma única vez.

Talvez seja preciso nós cuidarmos mais e estamos de mente e coração aberto para aproveitar os grandes benefícios das redes sociais. Mas só os benefícios. Aquilo que irá me trazer mágoa, eu me desprendo. O mundo já é cruel e complexo demais. Vamos promover a paz e a amizade nas redes sociais!

Por Simone de Carvalho

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