A História de um Nascimento

No final de 2009, cinco anos após o nascimento do meu caçula, resolvi colocar no ar a ideia de um grupo de apoio à doação de leite materno aos banco de leite do Brasil. A experiência bem sucedida em 2004, durante os seis meses de vida do meu filho como doadora do banco de leite da maternidade Leonor Mendes de Barros em São Paulo, me transformou para sempre. Fui uma das maiores doadoras daquele ano, tinha muito leite excedente e o trabalho de coleta e orientação dos bancos, assim como toda a real história dos benefícios da doação, sobretudo a realidade de salvar a vida de dezenas de prematuros com a minha doação, me cativou completamente. Tive uma história linda e bem sucedida de amamentação com meus dois filhos, a maternidade foi um grande divisor de águas para a minha vida, me inspirou tanto, me transformou tanto, que eu desejava contar para todo mundo a minha história como mãe.

Passei a convidar diversas mães, me conectar com muitas ações e pessoas que falavam esta mesma linguagem e a AMS (Apoio Materno Solidário) crescia dia a dia. Não demorou muito para que este trabalho solidário começasse a ser percebido, e em poucos meses, dei a primeira entrevista sobre o trabalho para a Revista Crescer. A internet é realmente poderosa, de alcance inimaginável e diversas mães começaram a surgir de diversos estados brasileiros e até mães expatriadas.

Algo interessante que passou a acontecer com apenas alguns meses de existência no ar; a necessidade de apoio e auxílio às mães em seus dilemas iniciais com a amamentação. Surgiram os mais diversos tipos de ajuda e dúvidas e o grupo começou a discutir sobre estes temas. O que eu sabia sobre amamentação era a minha experiência pessoal, não era uma especialista em aleitamento. O grupo já contava com mais de 300 mães e eu não poderia voltar atrás…Passei então a pedir ajuda e convidar algumas mães e profissionais que já tinham certa vivência neste assunto e comecei a estudar. Algumas alianças aconteceram, e passamos a trabalhar solidariamente também no apoio às mães e seus bebês.

Como pedagoga e apaixonada pela educação criei uma base de dados com textos e artigos sobre a amamentação. Com evidências científicas e pensando sobre a importância de aproximar o leigo da ciência, transcrevemos e traduzimos diversos textos para orientações das mães. Eram diversas as situações que chegavam diariamente sobre amamentação e a cada dia nos aprofundávamos mais. O grupo cresceu muito e hoje temos mais de 70 mil mães. O grupo crescia assim como as necessidades de dialogar sobre outros assuntos que permeavam a maternidade. E a comunidade cresceu.

Passamos a entender que o incentivo à doação de leite só alcançaria resultados suficientes de doação para os bancos se as mães fossem orientadas e apoiadas principalmente durante o aleitamento exclusivo, nos primeiros seis meses de vida do bebê. Era fundamental trabalhar um aconselhamento efetivo, amoroso e de uma escuta sensível para que a amamentação fosse bem sucedida. Os grandes desafios em acreditar na sua plena capacidade em amamentar seu bebê e a continuidade da amamentação na volta ao trabalho, era o maior desafio que tínhamos pela frente se desejássemos uma rede de mães doadoras. Ainda estamos neste caminho. Ainda iremos mudar esta cultura no Brasil, que hoje conta com a maior rede de banco de leite do mundo.

Hoje, com mais de 70 mil mães e dialogando e trocando experiências a AMS Brasil é um dos maiores grupos nas redes sociais. Ganhamos em 2011 o Prêmio Natura Acolher pelo reconhecimento da grande ação social que ela representa, e este é apenas o começo.

Colecionamos centenas de histórias de mães que alcançaram a beleza e a plenitude da amamentação. Superaram seus desafios próprios, mergulharam em suas maternidades, se transformaram, evoluíram e encontraram o caminho do amor incondicional. Criamos o conceitos de Lactivadoras, mães que, através do empoderamento materno, apoiam umas às outras, acreditam no seu poder materno, transformam o seu meio. É a beleza do empoderamento transformando conceitos, quebrando paradigmas, alcançando o ação sublime de gerar e nutrir seres humanos melhores para este mundo.

 

Depoimentos mais do que especiais… 

Eles contam por si só a história de uma comunidade unida pelo amor e solidariedade!

Marisa

 

Depoimento de Marisa Pfeiffer 
Frick, Suíça

“Meu nome é Marisa, tenho 44 anos, sou mãe da Yasmin de 3 anos e 8 meses que amamentei até os 3 anos. Me preparei muito durante a gestação para amamentar pelo menos até os 6 meses, fiz curso, li livros, preparei os seios, queria muito, mas nem tudo foi como planejei e sonhei. Moro na Suíça e a AMS apareceu na minha vida em janeiro de 2011, no exato momento em que eu precisava de apoio e mais informações para mães que decidem ir para o aleitamento prolongado, minha filha na época tinha completado 1 ano e eu tinha decidido que iria amamentar o máximo possível, mas a pediatra me orientou o desmame. Meu marido, que é suíço, queria entender porque eu tomei a decisão de não desmamar, já que aqui são poucas as mães que amamentam até os 6 meses, e com 4 meses a pediatra já orientava começar com as papinhas. Foram tantas frases negativas e eu, que apenas queria seguir meus instintos maternos sossegada, comecei também a querer respostas para essas pessoas, e encontrei todas neste grupo maravilhoso, não só informações sobre o aleitamento prolongado mas para muitas outras dúvidas que eu tinha no dia a dia e não encontrava nos livros que comprei, na internet, mas além disso encontrei muito carinho, muita atenção e uma enorme dedicação da pessoa maravilhosa que é a Simone, me senti muito feliz e a partir deste momento nada mais me atingiu, nunca mais me senti sozinha e tive toda a certeza que estava fazendo o melhor para a minha filha. Me tornei uma defensora da amamentação prolongada e seus benefícios. Hoje infelizmente não amamento mais, mas estou presente quase todos os dias no grupo lendo mais e mais informações e dúvidas, tentando de alguma forma ajudar as novas mamães que vou conhecendo pelo meu caminho. Agradeço muito ao grupo e a Simone por esses anos juntos, vocês me ensinaram muito!”.

Miriam

Depoimento de Miriam Giardini 

Califórnia, EUA

“Conheci a AMS no fim de 2010, logo após o nascimento da minha primeira filha. Eu e meu marido já morávamos havia 3 anos na Coréia do Sul quando minha filha nasceu e, por conta da distância, somente minha sogra foi me ajudar após o parto e ficou lá conosco nos primeiros 2 meses. Eu não tinha mais ninguém da família por perto que pudesse me ajudar ou me dar conselhos sobre como amamentar ou como lidar com um recém-nascido Após os primeiros dias em que eu tinha os peitos fartos de leite, de repente eles murcharam e parecia que eu já não tinha mais tanto leite assim. Será que ela mamava tão pouquinho porque eu tinha pouco leite? Será que ela estava passando fome? Meu marido e minha sogra sempre me apoiavam, me diziam que eu tinha leite sim e que tudo ia dar certo, mas as outras pessoas em volta, até as enfermeiras do hospital, não podiam ver minha filha chorando que já diziam que ela estava com fome. Eu sentia a necessidade de buscar respostas para essas minhas perguntas, de tirar dúvidas e ouvir dicas que pudessem facilitar a minha experiência com a amamentação. E foi durante uma dessas buscas desesperadas por ajuda que me deparei com a comunidade AMS no Facebook. E foi então que eu conheci a Simone, pessoa com um coração enoooorme, que ajudava milhares de mães diariamente e que tinha uma paciência infinita de responder perguntas dia após dia, e que sempre o fazia com uma gentileza e uma suavidade impressionantes. Certo dia eu lhe fiz uma pergunta e ela me respondeu por mensagem privada, me adicionando como amiga, e me tratando de uma forma tão carinhosa que parecia que me conhecia há anos. Ao mesmo tempo, ela me passava uma profunda tranquilidade e um conhecimento seguro que me dava a certeza de que eu poderia sim amamentar a minha filha o quanto quisesse. Quando meu segundo filho nasceu, a comunidade AMS me ajudou novamente, pois mesmo sendo mãe de segunda viagem, com muito mais bagagem e experiência, às vezes a gente precisa de um empurrãozinho para se sentir empoderadaO que a AMS e o grupo de mães significou para mim? Significou a certeza de que eu iria amamentar minha filha exclusivamente com o leite materno até ela completar 6 meses de vida, mesmo eu tendo voltado ao trabalho. Que eu iria continuar amamentando-a até ela completar 1 ano, 2 anos, ou até quando ela quisesse”.  

Fabiana

Depoimento de Fabiana Guerra 

Mogi das Cruzes, São Paulo

“Conheci a Simone de Carvalho num ato pró amamentação. Minha filha mais velha, Maria Luiza hoje com 4 anos, tinha pouco mais de 1 ano e estava numa fase onde a amamentação estava bem exaustiva, pois ela acordava demais durante a noite. Ter conhecido o AMS foi fundamental para que eu conseguisse a força e o apoio que faltavam para que eu não esmorecesse. Se eu nunca pensei em desistir com certeza devo ao apoio que sempre encontrei no grupo. Ser acolhida pela Simone e as outras mães quando engravidei da caçula, a Maria Alice, ainda amamentando a mais velha foi muito importante também.  O AMS é um grupo diferente: acolhe, usando palavras de incentivo carregadas de amor (sem esquecer o embasamento cientifico). Um grupo que empodera mães para que essas tomem contato com seus instintos maternos adormecidos (afinal somos todos mamíferos!). A experiência de poder ajudar uma mãe em dificuldade, como eu fui ajudada, é extremamente gratificante, ímpar. Sou grata por poder fazer parte dessa rede de apoio, sou mais grata ainda por poder encorajar uma mãe a doar leite e salvar vidas. A cada vez que uma mãe volta ao grupo para contar que a nossa ajuda e apoio mudou a sua história me emociono por saber que estamos fazendo a diferença. Isso não tem preço”.

Naime

Depoimento Naime Silva 

São Paulo, Capital

 

“Em 23 de agosto de 2013, eu e meu filho Abá completamos 36 meses de nossa história de aleitamento materno. Eu me sentia frustrada, desempoderada, aflita, confusa, perdida. Mas busquei na mulher selvagem que há em mim um último esforço para buscar ajuda. Encontrei colo no Coletivo Feminista de Sexualidade e Saúde, no Blog Mamíferas. Mas onde verdadeiramente eu me encontrei foi no grupo AMS- Aleitamento Materno Solidário, porque foi nesse grupo onde me encontrei a muitas mulheres com as mesmas duvidas que eu, com muitas histórias parecidas com a minha. Foi la que aprendi tudo sobre aleitamento materno, foi onde senti pertencimento, acolhida, ouvido, respeito e amor. A partir do aleitamento materno, passamos a discutir tudo sobre os bebes e nossos vínculos e assim eu me agigantei diante da maternidade. Entendi no grupo que a troca de experiências aliado as evidencias cientificas que Simone de Carvalho e Grasielly Mariano nos traziam para dialogar com nossas experiências de forma amorosa e delicada nos ajudava sensivelmente no empoderamento materno, nos fazia acreditar que somos capazes de estabelecer vínculos suficientemente bons com nossos filhos e filhas. Se não fosse esse apoio com certeza nossa história de aleitamento materno não teria chegado onde chegou, um aleitamento materno prolongado, onde Abá tem paulatinamente dado sinais de desmame de forma gradativa, tranquila, sem stress nem a mim e nem a ele.  No último encontro da AMS que tivemos na SMAM- 2013, a hora do mamaço na Casa das Rosas, ele sacou que era um momento que falava de amamentação. Surpreendeu-se em ver tantas mães, seus bebes e muitos tetês de fora. Gostou do que viu e apesar de não mamar mais de dia e nem em público, ele perguntou a Simone que horas ia começar a gravação do mamaço para que ele mamasse nos tetês. E pra celebrar e coroar aquele dia gritou para que todos ouvissem: E viva os tetês! Obrigada AMS por nos tornar uma dupla, mãe e filho, felizes! E viva os tetês!”.

Mirian

Depoimento Miriam Kedma 

Campinas, São Paulo

 

“Minha filha nasceu no dia 02 de dezembro de 2011. Devido à cirurgia e à medicação pós-cirúrgica o leite demorou em descer e no hospital deram complemento para ele porque ele chorava muito. Resultado, o leite desceu, o bebê sugava com força, eu não sabia amamentar, não tive ajuda, então vieram as fissuras, muita dor e candidíase nas mamas. Nos primeiros dias foi tudo bem, o leite desceu, os mamilos ficaram sensíveis, um pouco doloridos, mas a bebê mamava bem, sugava forte, porém não abria bem a boca na hora da pega e eu não tinha percebido esse detalhe, a pega não estava boa. Mais ou menos 10 dias após o nascimento da minha filha eu não aguentava mais a dor causada pelas fissuras, minha filha não estava mamando direito e eu não conseguia nem ao menos ordenhar as mamas. As mamas estavam inchadas doloridas e o leite estava empedrando, estava começando a ter febre e sentir calafrios, eu chorava e sentia muita angústia porque queria muito que a minha filha se alimentasse direito e não estava conseguindo. A consulta com a pediatra ainda demoraria 5 dias, era muito tempo para esperar. Eu me sentia frustrada e muito cansada porque era muito difícil dar o leite no copinho e depois ordenhar o meu, saia pouco ás vezes 20 ml, 30 ml das duas mamas e doía demais porque os mamilos estavam muito machucados. Eu estava no meu limite, sem dormir direito e extremamente cansada, sentia que já não tinha forças para ordenhar uma gota mais de leite; meu marido foi um anjo quando por várias vezes se ofereceu para fazer a massagem e me ajudar na ordenha, e não é que ele tinha aprendido direitinho?  Foi mais ou menos nessa época que conheci o AMS. Comecei a participar diariamente do grupo postando as minhas dúvidas e contando a minha experiência a outras mães e falando de como era possível superar as dificuldades. Virei fã do grupo, da amamentação e de tudo o que tinha a ver com o assunto. Comecei a pesquisar, a estudar a comprar livros e ler muito sobre o tema. Como faço parte do Grupo Vínculo aqui em Campinas, também comecei a coordenar, junto com outra colega psicóloga, o grupo de pós-parto, onde sempre recebemos mães com dificuldades na amamentação”.

Tylenna

Depoimento Tylenna Cook 

Palm Beach, Califórnia

“Olá, sou mãe de duas meninas, Gabriela de 3 anos e 2 meses e Isabela de 9 meses e duas semanas. Amamento as duas em livre demanda desde o momento do nascimento. Elas nasceram de parto natural domiciliar. Sou Brasileira, Paraibana e mudei para morar nos Estados Unidos, Flórida, quando estava gravida de 4 meses da mais velha. Fiquei por muito tempo sem licença para dirigir o que me isolou um pouco em casa. Durante esse tempo de gestação e primeiros meses de pós parto em solo americano me comuniquei virtualmente com uma amiga, Uyara, de Goiás. Após 6 meses do nascimento da Gabriela eu ainda estava muito sensível e com depressão pós parto. Daí ela me adicionou ao grupo. Fiquei maravilhada como existiam na época quase 1000 mulheres que pensavam parecido comigo e que sofriam e passavam pelas mesmas dificuldades que eu. Passei a ler todas as publicações, quase um vício. Aqueles comentários e publicações faziam a cada dia uma massagem no meu coração de mãe que estava fazendo tudo ao contrário do que a sociedade atual fazia, eu achava que era o país diferente cultura diferente, mas tenho muitas amigas brasileiras que também entram na indução errônea da formula. E a cada dia me fortalecendo mais como mãe e mamífera, sumiram os mitos e medos e enfim deixei brotar a mamífera feliz que sou até hoje. Aprendi tudo que sou sobre amamentação com esse grupo, me senti forte ao ponto de começar a ajudaras mães com comentários. Me livrei da depressão pós-parto, conquistei confiança e amigas preciosas.  Hoje depois de quase 3 anos ainda não consigo passar um dia que seja sem ler e participar do grupo”.

 

 

 

 

Share Button