Sobre as escolhas que fazemos…

 

Acervo pessoal da Autora

Acervo pessoal da Autora

Eu preciso falar de amor…

Falar sobre as escolhas que fazemos.

Eu nunca considerei que eu fosse uma pessoa que ganhasse bem, isso falando em valores. Me formei na área de comunicação, até fiz uma pós, realizei trabalhos que gostei muito e até me realizei bastante, mas confesso que nunca deixei que a carreira profissional estivesse a frente das minhas decisões emocionais. Claramente isso tem um preço, literalmente um preço. Aos olhos do dinheiro e dos bens materiais eu nunca fui a fodona cheia da grana bem sucedida.

Por isso quando minha filha nasceu, nem precisamos de muito planejamento para instantaneamente eu não voltar ao trabalho após a licença maternidade.

Fizemos uma conta básica: meu ganho liquido mensal X a terceirização dos afazeres de casa, mais a terceirização da criança numa escola ou babá em período integral, mais as idas ao cabelereiro para estar bem apresentável no mundo corporativo, mais o carro, mais o estacionamento, mais as roupas bonitas e blá , blá, blá e resumindo, esta conta nunca fechou no azul aqui em casa.

Mas existe uma conta que é imensurável: o que sentimos e o nosso emocional, que aos olhos dos outros ninguém quer saber. Já reparou que as pessoas não te perguntam quem é você, e sim o que você faz?

Sou constantemente questionada e cobrada sobre minha vida profissional, e o que eu fiz da minha vida ou que irei fazer quando minha filha crescer, e estaria sendo hipócrita se eu dissesse que isso não me afeta e nunca me aflige, mas qualquer pessoa viva em algum momento tem alguma aflição, e esta as vezes é a minha. Mas não tem problema, a gente aprende a viver muito bem com algumas aflições.

Quando minha filha completou dois anos e meio eu comecei a me movimentar e a procurar emprego, eu achava que ela já estava grandinha e com a força que ela me trouxe eu sabia que não teria para ninguém. Eu ia tirar tudo de letra porque filhos nos dão uma força descomunal. E realmente deu certo. Fui funcionaria exemplar, por mais de um ano acreditem, nunca cheguei atrasada e faltar nem pensar. Não vem ao caso a gritaria que era minha casa pela manhã para que eu não me atrasasse e a forma como eu estava exausta e muito menos onde havia ido parar minha qualidade de vida, afinal o que importa é ser mulher, mãe e ainda precisar provar aos quatro ventos que filhos não são motivos para ausências ou atrasos, né produção?

Mas o fato é que eu comecei a fracassar. A grana que caiu bem vinda começou a dissipar com massagens, porque eu vivia esgotada, gastava com alguns remedinhos, minha filha começou a adoecer e meu casamento entrou em colapso. Minha vontade de cozinhar era nula, meu tempo era escasso e eu comecei a gritar em casa dia após dia. Tudo precisava andar mais rápido para que o pouco tempo que sobrasse eu deitasse na cama e morresse o mais breve possível. Todos os dias eu me perguntava: como todas as outras conseguem e eu não? E a resposta já me vinha a mente, se todas conseguem você também consegue. Mas gente, será que conseguem mesmo? Hoje eu tenho a resposta. Eu acredito que conseguem, desde que com isso venha a tal realização pessoal, que para mim nunca chegou, e a conta lá de cima continuou nunca fechando no azul para mim.

Eu me dei conta que o tempo é precioso e se eu tenho tempo para pensar, para realizar, para questionar, para o fazer eu tenho tempo para cuidar de mim e dos meus, e o cuidar está altamente ligado ao amor, e foi isso que me trouxe minha verdadeira realização. Está é minha essência.

Após este período maluco trabalhando das 8 ás 18hs eu mensurei terríveis perdas em minha vida. A perda da minha própria vida. Um ano sem observar minha filha crescer, um ano sem cuidar de mim, um ano sem ter tempo a perder. Isso foi muito doloroso.

Devido as aflições das quais eu já aprendi a conviver com elas, eu também aprendi a ser julgada e aprendi a não dar importância.

Eu sou só uma mãe, mulher a qual não possui rede de apoio e precisei fazer algumas escolhas, e esta escolha foi justamente não precisar escolher entre o amor que sinto por mim pelo amor que sinto pela minha família. Afinal eu preciso ter tempo de cuidar de mim para poder cuidar deles.

Hoje compreendo perfeitamente aquela frase: – “É preciso uma vila toda para cuidar de uma criança”.

Ah, claro, eu pedi demissão deste meu ultimo emprego. Peguei meu diploma, aquele monte de papelada de certificados de cursos que fiz no decorrer da vida toda e optei aos 41 anos em decretar a morte da minha carreira corporativa, e dei início a venda de roupas por conta própria. Vejo gente, as mulheres ficam lindas e felizes, levo minha filha comigo sempre que preciso, tomo café da manhã todos os dias com minha família, cuido de mim fazendo academia, me sinto livre e consigo me sustentar financeiramente e emocionalmente, porque isso hoje para mim é ser bem sucedida.

A propósito, este texto não é só sobre eu abrir mão de coisas para estar com minha filha, é sobre eu amar a mim mesma e cuidar de mim para que eu possa cuidar dos que eu amo. Então pouco importa o que você faz, desde que forneça ao seu universo a energia positiva para sua realização, e todos a sua volta sentirão que isso é ser bem sucedido.

Ops, e se estiver precisando de roupas, fale comigo!

Beijos,

Debora

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  • Luciana Soares

    Por um instante achei que tinha escrito sobre mim, porém, depois que tive minha filha (hoje com 6 anos) não parei de trabalhar e até dava conta do recado. De manhã a levava para a casa da vovó, à tarde ia para a escola e a noite era toda dela. Eu e meu marido sempre fizemos tudo em casa juntos, esse esquema funcionava bem para todos nós. No ano passado engravidei novamente e agora que meus bebês (sim, são gêmeos!) estão com 1 ano estou me rendendo. Quando me perguntam como eu consigo, respondo que não consigo, não faço nada completo, não sou mãe, esposa, dona de casa e também não consigo mais ser a profissional que era antes. É muita frustação! Hoje me olho no espelho e já não me reconheço mais, sempre com aparência cansada, minha pele, meus cabelos, unhas…tudo abandonado. Mesmo diante dessa situação e sabendo que o melhor para todos é parar, ainda tenho medo e ainda me vejo reunindo coragem para mudar a minha vida.

  • http://borboletafashion.blogspot.com/ Dani Borboleta

    Ai meu Deus, chorando litros. Você é simplesmente maravilinda aaaaaa. Obrigada por este texto perfeito. Eu precisava realmente ler isso , é exatamente o que eu decidi e vivi. Estou feliz cuidando de mim e do amor todo com a minha família. Você disse tudo. Tudo mesmo, com todas as letras. Eu tenho o poder da escolha e não tenho medo de usá -la. Essa é a minha vida, esse é o meu clube rsrsrsrs
    Obrigadaaaaaaa sua lindaaaa. Obrigada mesmo. Não sabes o quanto me ajudou ler essa lindeza.
    Deus te abençoe muito e toda sua família. Namaste! 🌻
    Abreijos de Borbolleta e Girassol 🙏

    • http://www.seasmaessoubessem.com.br Simone de Carvalho

      Eu me emociono com comentários como o seu Dani!
      Obrigada meu amor,

      • http://www.seasmaessoubessem.com.br Simone de Carvalho

        Eu me emociono com comentários como o seu Dani!
        Obrigada meu amor,

  • Gracielle Oliveira

    Lindo texto. Passei por tudo isso tb. Só uma curiosidade, vc participa do Maternativa?

    • Debora Paparelli De Biasi

      Fui incluída na semana passada, vc acredita que me traria bons resultados? Ainda estou “boiando” por lá. @gracielle_oliveira:disqus

      • Gracielle Oliveira

        sim sim. e uma rede de apoio incrivel