Menopausa Precoce. Temos que falar sobre isso

Imagem: Pinterest

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Escrevi esse texto que fala de um momento muito particular na minha vida e queria dividir com vocês.

Menopausa

Estava há tempos precisando escrever, escrever me liberta ás vezes, escrever e falar sobre um dos momentos mais difíceis da minha vida: a menopausa. Esse relato é pessoal e intransferível, não é cercado de metodologias, nem de certeza científicas, fala da minha alma, das dores e dos amores desse momento.


Tudo começou há 4 anos atrás. Procurei o ginecologista achando que estava grávida, mas era apenas um diagnóstico de menopausa…apenas…lembro que chorei muito, mas muito, queria outro filho e o médico me dizendo que em todos os seus anos na medicina, era muito difícil reverter esse processo, visto os dados dos meus exames.


Chorei, culpei os outros, vivi o luto do filho que não teria, e isso antes dos 40…bom, mas por incrível que pareça, consegui reverter o quadro da menopausa e milagrosamente, a Bianca é prova disso, aleluia! Bi nasce, cresce e ela com 1 ano, novamente, meus exames mostram a menopausa voltando e dessa vez com tudo.


Ondas de calor, perda de memória, confusão mental, irritação, desejo zero, inclusive pela vida, e com duas meninas, uma com 1 ano e outra com 5 anos. Quem tem filhos pequenos entende e pode imaginar o meu cansaço. E sem ninguém a fim de escutar lamentações. A gente escuta no consultório, a tristeza dos outros, as dores dos outros, mas viver é tão, mas tão diferente… E, nessa hora, entende quando um paciente coloca o desamparo de não ter ninguém disposto a escutar, sobre eles e suas doenças, suas lamentações. Os ombros amigos geralmente somem para dores muito reais… senti raiva do mundo e briguei com pessoas muito legais, eu estava com raiva de mim e do mundo.


E então, os cabelos começaram a cair e branquear, o corpo mudou de forma. Eu nunca me preocupei muito com a aparência, mas descobri que só podia não me preocupar, porque eu não tinha mesmo muito com o que me preocupar. Quando senti a perda das minhas formas, daquilo que eu conhecia, e à minha revelia, eu entrei em desespero. Eu odeio perder o poder das decisões, principalmente pelo meu corpo. E eu ia cada vez mais perdendo…  E, como eu amamentava, não podia investir nos hormônios artificiais.


Conheci o chá de folha de amora, foi uma paz nas horas acordadas a noite, ajudou sim. Ah, na menopausa eu acordava de hora em hora toda a noite tendo ondas de calor. Descobri que tenho problemas com a proteína de soja. Descobri que a artrose no joelho piorou. Agora, pensei, além de tudo, comecei a sentir “dor nos ossos”, pra mim era coisa de velho, e me senti velha, mas muito velha, e desejei morrer… Planejei com quem ficariam as minhas filhas, se meu marido daria conta de cuidar delas, cheguei conversar com a menina que olha a Bi para, se algo me acontecesse, ela nunca as abandonasse.

 

E nesses 2 anos assim, desenvolvi transtorno de ansiedade, taquicardias, dores no peito, angústia, uma dor na cabeça crônica, minha pressão subiu, daí pensei: “bom, agora morro mesmo”. Mas ao contrário de alívio, senti desespero, muito desespero, não queria perder minhas filhas, consegui afastar cada vez mais a Bi de mim, do peito e ela desmamou. Iria procurar ajuda médica, hormônios, qualquer coisa que trouxesse alívio.


E do nada, depois de mais de 1 ano sem aparecer, a linda da menstruação veio, foi um alívio tão grande, mas tão grande, mas tão grande, mas tão grande, em uma semana emagreci 4 kg sem fazer absolutamente nada, só por ela ter aparecido, apareceu minha cintura!!! Pedi mil desculpas por todas as vezes que reclamei dela na vida, e minha mente perdeu o véu de confusão do dia para a noite, dormi uma noite toda de novo depois de muito tempo sem saber o que era isso.


Bom, com a menstruação e o sono, minha mente clareou um pouquinho e resolvi investir em mim. Só buscar fazer coisas que sempre me agradaram, ler, mais exercícios, procurar encontrar mais com amigos, fiquei muito tempo presa a uma rotina que não me acrescentava. Voltei a estudar, aprender, fiz Yoga, meditei, voltei a ver o pôr do sol.…voltei a ter tesão pela vida…devagarinho estou voltando a ter por mim mesma.


Ela ainda está aí. Refiz exames e estou, irremediavelmente, perdidamente menopausada (suspiros) no exame com o médico perguntei de riscos de gravidez, foi um choque quando ele disse: “não, fica tranquila, seu útero até está pequeno, regrediu até…”. Como não me senti mulher naquele momento…chorei tanto em casa depois disso…, mas foi um choro derradeiro, de despedida, “Ok, acabou esse momento de mulher com possibilidades de maternidade? Ok, acabou meu sangue que pode gerar vida?” Ok, mas não ia mais deixar que a mulher que habita em mim desaparecer novamente, não deixaria a dor tomar conta e perder o poder de mulher que eu possuo.

Não sou menos mulher, sou apenas uma mulher com todas as suas dores e delícias e possibilidades…

Esse reencontro faz menos de 6 meses, o transtorno de ansiedade está sendo controlado devagarinho, devagarinho e meu tempo de raiva por ter tido menopausa precoce parece estar acabando. Vivi esse luto pela mudança, que veio tão cedo, infelizmente, mas veio e agora faz parte de mim, é um pedaço meu e preciso conviver com ele e começo a encará-lo menos ferozmente, com menos ódio…


E re-nasci muito mais forte depois desse tempo enlutada, forte pra caramba! Mais poderosa, respondona, achando que a vida é curta e não mereço menos que o melhor, descartando com muito mais facilidade o que não me fizer bem, sem sofrências ou chorumelas, só fica quem aguenta (risos).

 

Estou aprendendo a amar novamente, com muito mais força, e de um jeito muito mais honesto. Mesmo por que não sou obrigada a nada e agora, despida de uma juventude pretensiosa, arrogante e muito mais madura. Nunca me senti tão forte e dona da minha vida.


Por enquanto, estou muito bem, obrigada.

Verônica Borges

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