13 razões para o choro do seu filho

Imagem: Pinterest

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Muitas mães procuram o pediatra para reclamar que seu bebê chora demais.  A primeira ideia que surge é que o leite é fraco, que seu bebê está com fome. Para dar apoio a essa questão surgem as avós, vizinhos, madrinhas, amigas de facebook, e tantos mais com sua experiência. Aí entra um ponto muito perigoso: o risco do DESMAME PRECOCE! Sim, isso mesmo. Se a mãe se convence com a ideia de que o leite materno “fraco” provoca o choro do bebê, ela vai procurar alternativas no mercado para interromper o choro, caindo nas fórmulas prontas de prateleira.

 

Muitas de nós mães têm (ou já tiveram) dificuldades em lidar com o choro do bebê, exatamente por não saber o que está acontecendo com aquele pequeno ser que não fala e dessa forma não tem como informar o que está de errado. Como não sabem falar, quando se sentem desconfortáveis os bebês usam a ferramenta que tem na mão: CHORAM pra chamar a atenção, para que alguém resolva o problema.  

 

No entanto, existem mecanismos para nós mamães identificarmos o que está acontecendo e agirmos para resolver o conflito. Preparei um check list com 13 situações do dia-a-dia que geram desconforto e choro, para ser consultado a qualquer momento. A FOME é apenas 1 dos 13 itens.

 

Falarei com um pouco mais de detalhe sobre cada uma das situações:

 

    1. Frio → no ambiente uterino, a temperatura é controlada e não sobre influência de fatores externos. O ambiente é acolhedor, quente, aconchegante. Ao ser retirado no parto, é exposto a temperatura ambiental que as vezes é fria, provocando sensações desagradáveis e diferentes das quais está acostumado. Como a pele deles é fina e sensível, é importante mantê-los aquecidos no frio.
    2. Calor → bebês gostam de ambientes quentinhos…mas não vamos exagerar!! Já encontrei bebês nascidos em pleno verão com cobertas e mantas, deixando o pobrezinho extremamente desconfortável. Aquecer sim, com bom senso por favor.
    3. Fome → os bebês sentem fome com muita frequência. O esvaziamento do estômago acontece rápido e isso é o suficiente para que coloquem a boca no mundo pedindo mais. O leite materno é um alimento leve e completo; contém todos os nutrientes necessários para o desenvolvimento do bebê no primeiros meses de vida. Como a digestão é rápida, sentem fome mais vezes, o que não significa que estão mal alimentados. Nos primeiros meses, deixamos o bebê mamar à livre demanda até que uma rotina se estabeleça. Importante que não fique mais que 4-5 horas sem mamar.
    4. Sede → bebês também sentem sede, e nos primeiros meses de vida, recebem água através do leite materno, não sendo necessário oferecer outro tipo de líquidos. Ofereça o peito e veja se ele se acalma, pois pode ser sede.
    5. Cólicas → durante a gravidez, o bebê recebe o alimento processado pelo cordão umblical sob a forma de partículas prontas para absorção. Ou seja, seu tubo digestivo é estéril e não faz a digestão dos alimentos. Após as primeiras mamadas, o leite começa a entrar no organismo dos bebês, sendo conduzidos pelos intestinos por movimentos ainda descoordenados. Essa movimentação dessincronizada pode ser uma das possíveis causas do início das cólicas.
    6. Cocô → bebês pequenos fazem cocô a toda hora, podendo chegar a 20 evacuações diárias. Isso é normal em bebês amamentados com leite materno. Então, antes de mais nada verifique se a fralda está cheia e troque o mais rápido possível. Alguns bebês ficam muito incomodados quando evacuam, sensação que desconhecem no ambiente uterino.  
    7. Xixi → como na evacuação, muitos bebês ficam  extremamente desconfortáveis quando estão molhados de xixi; são sensações também desconhecidas que geram mal estar. Assim que perceber a fralda cheia, troque rapidamente.          
    8. Insegurança →  durante a gravidez, o útero passa do tamanho de uma pera para  tamanho de uma melancia. O bebê, à medida que cresce, segue apertado nesse pequeno espaço, assumindo a posição fetal. Quanto maior, menor o  espaço disponível para os movimentos, limitados pela parede do abdome. O bebe se acostuma a ficar “apertadinho”. Ao nascer, seus movimentos são amplos e livres, e a falta dos limites físicos do útero gera insegurança, que pode fazê-los chorar. Uma boa técnica, é envolver um cobertor ou manta bem apertados no corpo do bebê, como uma “trouxinha”, simulando o ambiente uterino e dando segurança. Geralmente se acalmam.
    9. Ausência da mãe (sensação de perda) → do nascimento até próximo aos 3 m, o bebê não tem consciência de que é um indivíduo. Ele entende que é parte de sua mãe, como se os 2 fossem um. Isso explica porque o bebê chora quando está longe da sua mãe, ou quando não identifica o seu cheiro e sua voz. É como se “faltasse um pedaço”. Pegá-lo no colo e aconchegá-lo pode trazer uma sensação de conforto e completude, fazendo-o parar de chorar. Colocá-lo para mamar no peito também ajuda, uma vez que sente o cheiro e a proximidade da mãe.
    10. Posição incômoda → ficar deitado na mesma posição é muito desagradável. Os músculos doem e é preciso levantar ou trocar de posição para relaxar. Procure sempre manipular seu filho,  virando de lado ou de barriga pra cima, alternando os movimentos, massageando se corpinho suavemente – isso promove tranquilidade e bem estar.
    11. Roupa / fralda apertada → se o bebê chora, então abra a roupa e a fralda, verificando se está apertada ou no tamanho ideal. Às vezes a fralda, se mal colocada, pode apertar ou “beliscar” a pele do neném. O simples abrir e fechar pode interromper o choro. Verifique também se a roupa está confortável. Já recebi bebês no consultório com tip top menor do que o seu tamanho, e por isso tinham suas pernas dobradas e os pés pressionados. Ao despi-los para o exame clínico, paravam de chorar.
    12. Toques demais (stress) → o bebê é gerado em um ambiente tranquilo e seguro. Bebês que passam de colo em colo, sendo balançado de formas diferentes, com “pegadas” diferentes, pode entrar em stress e chorar à toa. Evite muitas trocas de colo e muitas “chacoalhadas”.”
    13. Vozes diferentes / barulho → a audição dos bebês é muito sensível e sons altos podem incomodar bastante. Proporcione um ambiente tranquilo para o seu filho, falando com tom de voz suave,  músicas calmas, evitando gritarias e barulho desnecessário, principalmente na hora da amamentação e do soninho. Procure estabelecer padrões para que uma boa rotina de sono se estabeleça.

 

Até a próxima!

 

 

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