Leite Materno: Uma riqueza dentro de você! E o trabalho? Vai bem, obrigada!

Imagem: Pinterest

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Desde que o mundo é mundo, os bebês sempre mamaram no peito. A natureza, sábia como é, precisava garantir a sobrevivência da espécie humana e o leite materno era a alternativa para suprir as necessidades nutricionais e emocionais dos pequenos recém chegados. Hoje quero escrever sobre o leite materno: uma riqueza dentro de você!

Para que esse objetivo fosse atingido, usou sua melhor fórmula: dotou o leite materno com os melhores nutrientes disponíveis, de fácil digestão e solubilidade, capaz de gerar energia para os movimentos e para as atividades diárias. Ao mesmo tempo, possuía lactobacilos fundamentais para colonizar a flora bacteriana do intestino, antes estéril, para que seu funcionamento fosse adequado. Esse leite puro, era livre de contaminação e substâncias agressivas que pudessem trazer malefícios para o bebê. Pelo contrário: Possibilitava o rápido crescimento e desenvolvimento das crianças, cumprindo as etapas fisiológicas.

Não menos importante, o leite materno atendia também a necessidades psicológicas básicas do ser humano: de proteção, amor, aprovação, segurança e estabilidade. Ao segurar o bebê no colo para amamentar, com conforto e segurança, eles se sentiam seguros, protegidos e tranquilos.

Para que os bebês superassem os desafios dos primeiros meses de vida, aonde a vulnerabilidade era tamanha, era necessário a imunização natural que os protegessem das  muitas moléstias que poderiam levar à morte. E assim, com esse conjunto de bônus, a natureza conseguiu atingir seu objetivo principal e trouxe a humanidade até os dias atuais.

Aí vem o homem. Para atender às demandas sociais, conseguiu desenvolver sua própria fórmula artificial através de sua imensa criatividade e poder de realização . Tendo como parâmetro de comparação a originalidade da natureza, desenvolveu seus próprios mecanismos para atender às necessidades nutricionais e alimentares dos bebês. A sofisticação e a tecnologia envolvida nas fórmulas atuais, procuram se assemelhar à fórmula da mãe natureza.

No entanto, a originalidade biológica não pôde ser copiada. A mudança no sabor do leite materno, influenciado pela qualidade da alimentação materna na gestação, permite que o bebê experimente ainda intra-útero uma variedade de sabores e gostos, estimulando seu paladar para o NOVO. Ao contrário, as fórmulas pré-concebidas são estáticas e não sofrem influência do meio externo, levando à uma pobreza na variação de estímulos gustativos. O resultado disso, é que bebês alimentados ao seio possuem uma sensibilidade gustativa muito maior e experimentam novos sabores sem muitos dramas, contribuindo inclusive para o baixo índice de obesidade nesse grupo. Bebês alimentados com fórmulas possuem maior tendência à obesidade e pouco incentivo ao NOVO.

Com a entrada das mulheres no mercado de trabalho, cada vez mais e mais mães optam por não amamentarem seus bebês, oferecendo fórmulas pré-fabricadas para seus filhos, achando que se trata de “leite materno em pó”. Desconhecem a riqueza que possuem em seus seios, capaz de desenvolver seres humanos mais ajustados e mais saudáveis.

As fórmulas foram e são essenciais para a sobrevivência de um grupo muito grande de bebês, principalmente os prematuros extremos ou aqueles que nasceram com alguma grave doença e que precisam /precisaram ficar hospitalizados por um bom período de tempo, o que muitas vezes dificulta a amamentação natural, ou ainda aqueles cujas mães por questões de saúde ou outras várias não puderam amamentar. Ainda bem que existem, e por isso sou favorável à elas! Se bem utilizadas, as fórmulas salvam vidas!

Se mal utilizadas, o que vemos é um desperdício enorme de um tesouro incalculável. Milhares de litros de leite são desperdiçados todos os anos por falta de estímulo para a amamentação natural. Por simples desconhecimento materno. O que vemos muitas vezes, são crianças e adolescentes desajustados pela falta de intimidade entre mãe e filho nos primeiros meses de vida, com importantes perdas em vários níveis.

A introdução da mulher no mercado de trabalho, cada vez mais a afasta do seu papel biológico de prover a alimentação nos primeiros meses na vida do filho. A culpa, cada vez mais frequente, cai como uma bomba na cabeça de cada uma de nós – de não poder cumprir o papel biológico que fomos desenhadas para cumprir.

A boa notícia é que é possível conciliar a necessidade biológica da mãe em amamentar o seu bebê, através de políticas de incentivo pela empresas no período de amamentação. A drenagem e estocagem adequada é possível, ainda que desgastante (fiz isso por longos1a 8m) – depende de nós, principalmente, e da empresa em permitir uso de espaços para ordenha e acondicionamento adequado.

Eu acredito: Que com estímulos à prática da amamentação dentro do ambiente de trabalho, além de estarmos contribuindo para melhor formação das crianças, estaremos contribuindo para uma sociedade mais ajustada, saudável e feliz, gerando adultos igualmente saudáveis e felizes. Afinal, o que mais queremos da vida além de sermos felizes?

 

Um beijo,

Margareth Sá

 

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