Culpa pela separação do bebê na volta ao trabalho

 

Imagem: Pinterest

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Você já sentiu culpa pela separação do bebê na volta ao trabalho?  (Se você já se sentiu assim, Leia esse artigo).

A licença maternidade está terminando….. é chegada a hora de voltar ao trabalho! A lembrança dos primeiros momentos parece muito distante: o nascimento, os primeiros banhos, as mamadas prolongadas, as noites mal dormidas e as acordadas zelando pelo sono do filhote. O prazer de ficar com o bebê pequeno debaixo das cobertas, protegidos do frio, enquanto ele se fartava de mamar o leite vitaminado.

Que delícia é ser mãe! Que delícia é poder viver a maternidade em sua plenitude. Cada toque, cada olhar, são momentos que ficam eternizados.  A consciência da importância da amamentação principalmente nos primeiros meses de vida, traz comprometimento e força para aguentar com firmeza a adaptação do início. Tudo parecia complicado, mas você conseguiu “tirar de letra”.

E agora? A rotina recém conquistada é ameaçada com o retorno da mãe às funções no trabalho. Os poucos meses passam rápido e pensar na separação precoce do bebê traz angústias e dúvidas. São perguntas sem respostas, conflitos que surgem um atrás do outro que se torna difícil lidar com tantas questões ao mesmo tempo. 

As dúvidas insistem em permanecer na mente todo tempo: sobre o desmame parcial e precoce do bebê, sobre como fazer para amamentar, que tipo de leite a ser oferecido já que não estará todo tempo com ele, quem vai cuidar e aonde (creche, babá ou na casa dos avós?), custo financeiro… Mais importante que tudo isso é a ruptura emocional que a mãe e o bebê estão prestes a sofrer. Esse forte vínculo que se forma desde o nascimento entre mãe e filho, é sustentado pela variedade de hormônios que invadem o corpo materno por ocasião da maternidade.  A ocitocina é o principal deles, conhecido como “hormônio do amor”.

É chegada a hora da separação do filhote. O instinto biológico clama por mais tempo, enquanto a licença maternidade estabelecida por lei insiste em colocar um prazo nessa relação. E aí a culpa vem com tudo, invadindo os mais resistentes corações. Qual de nós mães-mulheres que trabalham não sentiu culpa em algum momento da vida? Qual de nós não se sentiu arrependida por estar trabalhando enquanto o filho era cuidado por outra pessoa? Qual de nós não chorou em algum momento do dia com saudades do seu filho quando o peito começava a encher de leite e doía, e o filho não estava por perto para mamar? Qual de nós não sentiu remoço por estar trabalhando e “abandonando” o filho nesse momento de fragilidade e dependência total?

Essa culpa que acompanha mulheres de todas as idades e classes sociais, resulta do conflito entre o estado biológico e emocional alterado das mães e os compromissos sociais assumidos no trabalho. A vida segue, precisamos trabalhar, precisamos do dinheiro para manter a estrutura. O trabalho é importante por trazer novamente sentido profissional, dar significado à vida, restabelecer as relações que temporariamente deixamos de lado.  Nos sentimos úteis no trabalho. No entanto, o conflito de interesses e sentimentos trazem muitas incertezas para a mãe.

O tempo é implacável e o fim da licença se aproxima. De uma forma ou de outra, a mulher terá que encontrar respostas para as questões que a atormentam e deverá voltar ao trabalho (ou não!). Essa decisão só depende dela.  Em conversas com mães que trabalham, encontro dúvidas a respeito das políticas das empresas e dos direitos da mãe-mulher-profissional. É possível conciliar a vida pessoal com a vida profissional e reduzir as perdas? Ser mãe e desempenhar funções nas organizações?

Como obter os melhores resultados nas atividades do trabalho se não estamos de corpo e alma no que fazemos? Como é possível ser produtiva no trabalho se o pensamento foge para o filho, atrapalhando o foco e a concentração?  Que bom seria se pudéssemos ter um apoio e entendimento por parte das empresas, fornecendo um ambiente favorável e a estrutura necessária para podermos passar por essa fase natural de uma maneira tranquila, sem pressões, vivendo a maternidade de forma integral.  Atender às necessidades maternas pode significar o aumento da motivação e do engajamento das mulheres nas suas funções, aumento do nível de realização e satisfação com a empresa, aumento no nível de felicidade, levando a maior produtividade e melhores resultados das organizações.

Diante desse cenário, algumas empresas já se mostram sensíveis ao momento da mãe-profissional e permitem flexibilidade no horário e conciliação da rotina doméstica com o trabalho.  Infelizmente, a maioria das empresas não têm políticas bem definidas, nem programas de adaptação para a recém-mamãe.

A boa notícia é que os tempos estão mudando. Empresas já começam a despertar para a necessidade de atender a esse momento especial na vida da mulher, se abrindo para o diálogo. Ainda é pouco, muito pouco. Temos muito pelo que lutar e construir, para estabelecer um caminho maduro que atenda aos interesses das empresas e das mulheres que são mães ou desejam ser. Afinal, o poder criativo das mulheres, sua capacidade de resolução de problemas, a forma como se relacionam e se engajam nos projetos podem fazer a diferença no crescimento e nos resultados das organizações.

Queremos lançar uma pesquisa para todas vocês hoje. E se você pudesse responder:

Que tipo de Trabalho eu desejo?

Qual seria a sua resposta?

Acesse o link e preencha o questionário. São apenas 10 perguntas que poderão fazer a Diferença para mudar essa realidade das mulheres no trabalho: Questionário “Mulheres no Trabalho”

 

Por Margareth de Sá

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