Como promover a independência dos bebês (e a nossa)

Imagem: Pinterest

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Mãe que é mãe vive mergulhada em contradições. Uma hora quer, daqui a pouco não quer mais. Uma hora pode, depois não pode mais. Com relação à liberdade dos filhos então, nem se fala…  O post de hoje fala sobre como promover a independência dos bebês (e a nossa).

 

Desejamos ter filhos independentes, bem resolvidos, “descolados”, que saibam se virar sozinhos e nos deixem um pouco mais livres… Na fase de bebê são extremamente dependentes da figura materna – seja emocionalmente, na amamentação, na segurança ou nos cuidados gerais. Desejamos que essa fase passe rápido, para termos um pouco mais de liberdade. Mas até que ponto isso é verdade?

 

Viver a maternidade significa doar-se, fazer para o filho o que é necessário para seu pleno desenvolvimento; é atender às demandas, preenchendo lacunas do saber… É imprimir ao outro nossos valores, cunhando um ser humano aos nossos moldes. Reclamamos mas no fundo gostamos. Essa dependência massageia nosso ego e reforça o sentido da existência.

 

Então, qual o melhor período para se estimular a independência das crianças? Como lidar com esse desprendimento? Como gerar filhos independentes e ao mesmo tempo manter o vínculo afetivo?

 

A independência dos bebês vêm desde longe, quando a partir dos 6-8 meses começam a se alimentar sozinhos, segurando com suas próprias mãozinhas a colher ou o alimento para levar à boca. Aqui começa a cultura do desapego. Estimular as crianças com alimentos coloridos, cortados em pedaços grandes, de forma que consigam manipular e brincar com as refeições, transformando esse momento em um momento de autonomia.

 

À medida que começam a andar e a explorar outros ambientes da casa, sentem-se os donos do mundo, num ir e vir infinito. Agora correm e os perigos são eminentes. Nesse ponto é importante a supervisão dos pais evitando riscos de se machucar, sempre preservando a autonomia. É o que eu chamo de “liberdade vigiada”. Para a criança que até então ficava sentada e restrita a um único ambiente, é um mundo novo que se abre.

 

Para que possa desenvolver a autonomia e reforçar a autoestima, é importante que a criança seja exposta a situações em que seja protagonista num ambiente controlado. São pequenas atitudes que farão a diferença. Por exemplo: quando Isabela era pequena, morria de vergonha de tudo. Vivia atrás de mim, literalmente “atrás da saia da mamãe”. Qualquer coisa que precisava fazer sozinha era um suplício. Festinha infantil?  Lá estava eu no meio das crianças para dar segurança, pois de tão tímida sentia-se insegura. Resolvi trabalhar esse comportamento que poderia atrapalhar sua adolescência e sua vida adulta.

 

Comecei a fazer experiências sociais, colocando-a para resolver pequenos problemas sob minha supervisão. Quando queria tomar um sorvete no shopping que custava R$ 2,00, dava-lhe o dinheiro exato para não ter problemas com troco e a mandava pedir ao atendente no balcão. Ela pedia, escolhia o sabor, dava o dinheiro, olhava ligeiramente para mim procurando aprovação e saía de lá com o peito cheio de orgulho por ter conseguido comprar sozinha.

 

Claro que eu a observava todo tempo para ajudá-la caso alguma coisa desse errado. Essa simples ação dava coragem, e à medida que crescia, fui aumentando o grau de dificuldade da experiência. Agora dava-lhe R$ 5,00 ou R$ 10,00 para que, além de pedir o sorvete, calculasse a diferença e trouxesse o troco certinho.

 

Agora maior, oriento para que pegue informações em balcões, com atendente de lojas, para comprar coisas maiores, ir ao mercado, sempre com minha observação atenta. Em casa, sempre estimulamos ela para que fizesse seus deveres de forma independente, chamando apenas em caso de dúvidas.

 

Outra pequena ação que cultivamos é a autonomia fora de casa. Quando dorme na casa de alguma amiguinha, torna-se responsável pelo cuidado pessoal, por alimentar-se e por cuidar de seus pertences, colocando-os cuidadosamente na mochila. Existem inúmeras outras formas de estímulo,  essas são apenas algumas que utilizei. Você pode (e deve) criar as suas.

 

Agindo assim, estou conseguindo que ela cresça corajosa e com autonomia para pequenas decisões, preparando-a para que se torne um adulto maduro, responsável e cumpridor dos seus deveres.  Afinal, como diz o ditado: “nós criamos filhos para o mundo”. O melhor de tudo é saber que apesar da independência social, mantemos nossa relação amorosa de mãe-filha no mais alto grau, pois ela percebe o respeito à sua individualidade. Afinal, não é isso que desejamos desde o começo?

 

E você, quando vai começar a estimular a autonomia e a independência de seus filhos?

Que tipo de pessoa você está ajudando a formar? Que situações irá criar para estimular o desempenho dos baixinhos?

Boralá refletir?

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