A fixação das crianças pela tecnologia

Imagem: Pinterest

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Durante muitos anos, trabalhei em consultório. As queixas das mães eram as mais variadas possíveis, indo desde a mais popular “meu filho não come”, passando pela falta de cuidados com suas coisas, até a fixação das crianças pela tecnologia.

Atualmente, ouço muitas mães se lamentando sobre a falta de brincadeiras, que as crianças não querem estudar, que perdem muito tempo na frente do computador ou do celular, e por aí vai. A tecnologia veio para ficar, e é inegável que cada vez mais cedo nossos pequenos filhos são expostos a esse mundo novo. Mexem com tanta desenvoltura nos iPads, iPods, tablets, celulares, computadores e mídias sociais, que dá até medo. Lá no fundo, sentimos uma pontinha de orgulho em ver que nossos filhos conseguem lidar com toda essa parafernália de uma forma fácil e leve.

O impacto da tecnologia na vida deles é tamanho. Nós mesmos, nos acostumamos com as facilidades que os dispositivos eletrônicos nos proporcionam, que é impossível pensar a vida sem eles. Há no entanto, uma linha tênue que divide o saudável do risco. Até que ponto devemos permitir que nossos filhos convivam com os eletrônicos? Quando comprar o primeiro dispositivo? Qual o tempo permitido e saudável de exposição?

Muitos especialistas (dentre eles eu) recomendam que as horas na frente dos eletrônicos para menores de 12 anos sejam reduzidas. A overdose de estímulos é prejudicial para o desenvolvimento e aprendizado infantil, podendo levar a situações que envolvam déficit de atenção, impulsividade, isolamento social, dificuldades de aprendizagem, ansiedade, obesidade, privação do sono e dependência tecnológica, entre outras.   

Por quanto tempo então eles podem jogar, ver filmes ou navegar na internet?

Segundo a Academia Americana de Pediatria, a regra para exposição a todo tipo de mídia é a seguinte:

  • de zero a 2 anos → o ideal é não oferecer
  • de 2 a 5 anos → só deveriam ficar no máximo 1 hora por dia diante das telas
  • de 6 a 12 anos → 2 horas por dia
  • a partir de 13 anos → 3 horas diárias

Isso pode parecer pouco, mas é o limite de segurança para que tenhamos filhos saudáveis e equilibrados.  E como devemos agir se os baixinhos insistirem em permanecer na frente do computador?  Como devemos nos comportar quando optarem por gastar horas passivos em frente às telas ao invés de simplesmente brincarem?

É aí que entra o “poderoso dedo indicador”!

Lá em casa, com 2 filhos (uma de 10 anos e outro de 4 anos), situações como essa acontecem frequentemente. Eu uso meu dedo indicador com toda autoridade de mãe que tenho e simplesmente desligo o botão! Simples assim! Sem dar muitas explicações ou ouvido às reclamações, que geralmente são muitas. As crianças não conseguem avaliar as consequências de seus atos, e nós como adultos responsáveis, temos que zelar pelo equilíbrio.

Muitas vezes Isabela reclama “o que eu vou fazer agora?”, e a minha resposta é sempre a mesma “Não sei, vá inventar algo. A cabeça tem que estar livre para poder inventar coisas”. Na falta de inspiração, algumas vezes inicio alguma brincadeira e brinco junto; então, em determinado momento, digo que vou à cozinha pegar algo e saio de fininho. Quando apareço no cantinho da porta, observando o movimento, sempre a encontro já brincando, só que agora sozinha. E o que é melhor: gostando da brincadeira!!

Essa técnica sempre funciona, e à medida que o tempo passa, ela nem se dá conta do que deixou para trás. E muitas vezes aproveita pra valer a nova atividade.

Para que isso acontecesse, precisou a intervenção do meu dedo indicador para alterar a rota.

E esse é o papel dos pais: saber administrar quando é hora de interagir com os eletrônicos e quando é hora de brincar.

Cabe a nós, e somente a nós, a responsabilidade de manter o equilíbrio em casa.

Para que tenhamos filhos antenados, ajustados à sociedade, seguros de si, com muitos amigos e, o principal, que sejam felizes!

Afinal, o que mais os pais podem querer para seus filhos?

Margareth Sá

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