Meu bebê está inconsolável porque voltei a trabalhar

Imagem: Pinterest

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A volta precoce ao mercado de trabalho cada vez mais presente no cotidiano das mulheres brasileiras significa tensão, insegurança e a agonia sobre o fato do distanciamento  do seu bebê e da sua consequente adaptação a quem irá cuidar dele e de como ele será amamentado na sua ausência. É um momento delicado e que merece um olhar muito compreensivo e paciente de todos nós. Mãe e bebê estão em processo de distanciamento e muitos fatores, principalmente os afetivos, estão em jogo neste momento e muitas mães relatam que “meu bebê está inconsolável porque voltei a trabalhar”.

Dúvidas, arrependimentos e frustações estão intimamente ligados a este momento. Também, o desespero e a pressa em pensar em soluções e alternativas prontas, como a introdução de mamadeiras e fórmulas e a falta de tempo para ordenhar o leite. Tudo isso, envolvem mãe e bebê num clima de tensão e de tristeza que precisam ser trabalhados com muita calma, paciência e, principalmente, perseverança.

Para a mãe, a urgência por soluções é a garantia de que seu bebê irá se adaptar à nova forma de oferecimento do seu leite, quer seja por meio de copinhos e em último caso, o uso de mamadeiras. Há preocupação com a perda de peso, o choro e o sofrimento do seu bebê; e para o bebê, a angústia do afastamento, das novas conexões afetivas são um pacote de  incertezas e, culpa.

Em um primeiro momento – e geralmente tardio – mães tentam adaptar o seu bebê o mais rápido possível e a dinâmica do choro e da rejeição são momentos de profunda angústia para ambos, onde bebê pode rejeitar tudo como também pode se adaptar prontamente. Muitas dúvidas permeiam esta relação sobre a continuidade e importância do aleitamento exclusivo, a possibilidade de abandono da mama em função do bico da mamadeira, e em último caso, a introdução da fórmula ou de leite animal.

Desejamos que o aleitamento materno perdure por sua série de benefícios comprovados, mas este desejo esbarra-se em muitos entraves; dentre eles, a garantia de oferecimento e tempo disponível para o mesmo. As soluções como copinhos de transição, requerem muito esforço, paciência e força de vontade (acima de tudo) de quem irá cuidar do bebê agora. E, na primeira reação de rejeição, choro e até birra do bebê, a tendência ao desânimo e abandono da prática do aleitamento materno aumentam consideravelmente.

Para compreender o que acontece com o bebê e as suas reações, irei pontuar algumas teorias que merecem toda a atenção, cuidado e respeito. O bebê compreende a dinâmica e isto lhe causa sentimento e insegurança. Adequar-se a outros métodos que não seja o macio, quente e maternal peito é algo duro para ele. Brutal poderia dizer. A relação com o peito e o colo da mãe é extremamente prazerosa e de importância ímpar ao seu desenvolvimento emocional e afetivo, pois ele necessita desta segurança, é também vital para o seu desenvolvimento sadio. Instintivamente, ele luta bravamente pelo seu direito e por sua sobrevivência e o choro, a rejeição e a negação são algumas de suas suas “armas”.

Para a mãe, o fator emocional é grande, pois os diversos sentimentos envolvidos a fragiliza, a angustia e a desespera. Ela está entre a responsabilidade/necessidade da volta ao trabalho e a separação do seu bebê e a angústia de vê-lo em sofrimento. Às vezes, a emoção domina, e ela repensa a sua função como mãe trabalhadora; por outras vezes, a razão domina, abrindo espaço para a impaciência e a resolução imediata do conflito.

Neste momento em específico, o bebê é adaptado, como que obrigatoriamente, à nova rotina da mãe e a sua adequação se torna fatalmente o desapego por completo da mãe em tempo integral. O que também se esquece – ou não é pensado neste momento – é a necessidade do diálogo com o bebê, pois facilmente desconsideramos a sua capacidade de compreender o entorno deste momento de separação. Esta capacidade, a cada dia, impressiona mais pesquisadores e especialistas e é também amplamente comprovada por pesquisas científicas.

Dialogue com o seu bebê. Permita que ele compreenda o que está acontecendo com ele e com você. Dê tempo para que ele assimile toda esta nova dinâmica: de dia sem a mamãe e à noite com a mamãe. Enquanto estiver introduzindo um novo método (preferencialmente o leite materno oferecido no copinho) explique a necessidade e mostre que ele também precisa se adaptar, assim como você. Faça tudo isso com muito amor, olhando nos olhos, passando a segurança e a certeza do seu amor incondicional por ele. Abra o seu coração expressando o quanto é difícil este momento para você também, mas com amor e entusiasmo, irão enfrentar isso juntos da melhor forma possível.

Persista! Não se entregue ao desânimo, ao desespero, à angústia… Se dedique a este novo tempo, de readaptação de ambos; não dê espaço para a irritabilidade. Console o choro, compreenda a negação, se mostre profundamente consternada pela dor da separação do seu bebê, mas acima de tudo, se mostre forte e confiante de que esta fase passará e será muito bem sucedida e satisfatória para ambos.

Se preocupe com o seu corpo e com a produção do seu leite, pois só você é capaz de proporcionar isto ao seu bebê, uma dádiva insubstituível. Nunca desista da ideia de que o seu leite é o alimento único e essencial para ele. Lute pelo seu direito de ser mãe e, principalmente, pelo direito divino de alimentar o seu bebê com o seu próprio leite. Lute também, para que o seu entorno compreenda isso e se convença pela sua determinação. Dialogue com a escola, com a creche ou com quem ficará responsável pelo cuidado do seu bebê. Seja valente em, se necessário for, perder horas de sono para a ordenha e principalmente para continuar amamentando o seu bebê quando estiverem juntos, principalmente se voltar antes dos seis meses de aleitamento exclusivo. Todo esforço vale muito a pena e é um tempo realtivamente curto até a introdução alimentar.

Compreenda que é um tempo de dedicação e que certamente este esforço trará benefícios futuros e inestimáveis a ele. Se concentre na ideia de que este é um período, uma fase de sua vida, que talvez vá durar apenas poucos anos. Podemos também nos consolar à esta ideia quando pensamos que às vezes, passamos anos e anos nos adequando ao casamento, a relacionamentos e ao próprio trabalho… Isto também faz parte da nossa vida e também significa uma etapa que, com esforço, determinação e com persistência, iremos superar.Pois, uma vez que estamos seguras de nós mesmas e convictas da importância desta prática, esta segurança se transformará em algo positivo para o bebê.

“A única coisa que ele necessitará neste momento da sua volta ao trabalho, é a certeza de que o que você decidiu que é a melhor coisa para vocês.”

 

Um abraço muto afetuoso para as mães que voltam a trabalhar precocemente.

Todo nosso apoio e reconhecimento,

 

 

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