4 segredos de sucesso para os acordos com seus filhos

Imagem: Pinterest

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Estamos vivendo a era de mencionar a palavra EMPATIA, cujo significado é: a capacidade psicológica para sentir o que sentiria uma outra pessoa caso estivesse na mesma situação vivenciada por ela. Consiste em tentar compreender sentimentos e emoções, procurando experimentar de forma objetiva e racional o que sente outro indivíduo. Vou trazer hoje para vocês os 4 segredos de sucesso para os acordos com seus filhos.

Lendo e compreendendo a definição de empatia, creio que já nos abre um portal na mente ao pensarmos nas palavras “boas maneiras”. E se formos capazes de unir a palavra “empatia” com a palavra “criança”, com certeza a coisa vai fluir…

As maiores birras que pude presenciar (eu nem gosto de usar esta palavra “birra” e logo explico o porquê) foram justamente em algum momento que eu, mulher, mãe, simplesmente não consegui me colocar no lugar da minha filha e ser empática com ela. Todo comportamento que considero inadequado vem da minha vontade de que minha filha seja algo que eu gostaria que ela fosse ou de que fizesse algo que eu gostaria que ela fizesse.

Por isso acredito que a palavra birra deveria ser extinta, justamente porque a criança quando é considerada “birrenta” ou “mal educada”, não está fazendo nada além do que ela sabe ou agindo de uma certa forma porque ela ainda não foi ensinada a fazer diferente. Sendo assim, eu mudaria o “mal educada” por “mal direcionada”.

Estamos bombardeados de informações que comprovam que crianças aprendem por imitação ou pelo que vivenciam, então claramente precisam ser direcionadas, e isso realmente nos cansa. É um trabalho ávido, diário e interminável. E é aí que nos perdemos, diante de nossa rotina exaustiva e infinita. E se nós adultos nos perdemos, imaginem nossas crianças que já nasceram “perdidas”.

“Se em algum momento achamos que está sendo fácil, há duas opções, certamente não estamos fazendo nosso melhor ou ainda não nos tornamos mães e pais”. Débora

Sendo assim, vou lhe dar algumas dicas de “boa educação” e como obter estes bons resultados:

1º. Conecte-se com seu filho, SEMPRE! Sabe aquela conexão mamãe x bebê que foi criada lá atrás? Pois é, essa conexão estará em alta para sempre! Se você reconhecer seu filho como um indivíduo e conhecer sua essência, com certeza você terá embasamento para saber de suas preferências, limitações e comportamentos, e não vai insistir em criar uma necessidade de que seu filho faça algo que para ele é intolerável.

Se seu filho tem um comportamento extremamente ativo, ligado ao movimento do corpo, simplesmente não insista em passar horas sentada em uma mesa de restaurante. Dê preferencia a passeios ao ar livre e que envolvam atividade física. Simples assim! Não estou dizendo que você nunca mais vai sentar em um restaurante, este é só um exemplo, por isso vamos para a segunda dica já, já…

2º. Crie “acordos” e aprenda a verbalizar. Você realmente precisa fazer algo que faça seu filho se comportar de forma intolerante. Ao invés de ficar com taquicardia e sofrendo por antecedência, mude sua forma de encarar os fatos, respire fundo e converse, converse sempre… Exponha a necessidade de ir a esse lugar, a importância da presença da criança e mostre a ela, através do diálogo, qual o comportamento você espera dela. Exemplo:

“- Mamãe precisa ir na feira. Eu sei que está fazendo muito sol, eu sei que você fica incomodado com isso, mas hoje você vai ficar comigo na feira, vamos conhecer frutas bem gostosas e coloridas por lá, brincaremos de olhar os passarinhos no fio e quero muito que você fique sentado no carrinho, porque mamãe não consegue carregar você e as sacolas das compras ao mesmo tempo, está bem? Combinado? Oba! Combinado!”

Repita essa conversa por mais 30 vezes se for necessário, e conforme a idade da criança, aumente a história até que vire um lindo conto que vocês poderão vivenciar juntos. E na volta, demonstre sua satisfação, fazendo algo que a criança adora e verbalize: “- Você fez o combinado, tenho muito orgulho de você! Agora vamos brincar juntos.” Se seu filho não fizer o combinado, demonstre sua insatisfação da mesma maneira: “- Mamãe ficou triste porque você não fez o combinado!”

O grande desencontro dos “combinados e acordos” é que, na maioria das vezes, a criança faz o combinado e depois deixa de fazer. Mas não foi a criança que deixou de fazer, o real motivo é que nós pais só exigimos o combinado, mas não nos colocamos no lugar da criança e por isso não retribuímos à altura. Muitas vezes, nós mesmas não cumprimos também os próprios combinados que fizemos.

3º. Crie empatia e inteligência emocional. Se a criança chora ou esperneia porque não quer alguma coisa, ou porque quer outra coisa, nada mais é do que a falta de inteligência emocional de entender o que é possível e o que não é. E como ela age? Te deixando de cabelo em pé. Se nesse momento você gritar e entrar nesta mesma vibração, serão duas crianças berrando, certo? Volte para o 2º passo e mantenha o diálogo. Explique para a criança o porquê daquilo, abrace, conforte… Acredite, vai dar resultado!

Eu costumo brincar e dizer para o meu marido: crianças são como pipas! Em um minuto estão voando na imensidão do céu e a gente nem percebeu. Nesse momento, elas perderam o controle e estão pulando como tasmânias. E aí, para resgatar da imensidão do céu, fica bem complicado. Por isso, pratique os passos 1, 2 e 3 todos os dias, a todo momento, antes que a pipa seja cortada por uma linha “bandida” e você perca o controle e a razão!

4º. Não subestime seu filho. Obviamente, temos uma vida e ela precisa seguir. Muitas vezes até rápido demais. Já escutei de algumas amigas que elas não conversam com os filhos porque eles não entendem. Entendem sim, é claro, desde que a conversa seja direcionada a eles e desde que criemos esse hábito. Simplesmente rotular e afirmar que eles não entendem é um grande “gap” na ligação de vocês. Eu sempre conversei com minha filha, muito antes dela aprender a falar. Aliás, o diálogo é a base de todo relacionamento. Se entre marido e mulher o maior caos se forma quando acaba o diálogo, por que seria diferente com os nossos filhos, por que não permitir este diálogo com eles?

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Eles entendem e compreendem muito mais do que nós imaginamos. Eu sempre verbalizo meus sentimentos em casa: – Mamãe está triste hoje, pois riscaram meu carro na rua. – Mamãe está ansiosa para que o papai chegue logo, para que possamos jantar juntos. – Estou com fome!

Somente dessa maneira conseguirei que minha filha aprenda a se expressar também através dos sentimentos e só assim estarei criando inteligência emocional e auto-conhecimento nela. Isso valerá por toda uma vida! Pessoas que identificam em si o que sentem são mais resolvidas e confiantes.

Vou exemplificar um diálogo entre eu e minha filha que incluiu todos os itens acima, para vocês entenderem que dá mesmo resultado, é só praticar.

Estou eu lá, numa festa de criança, e a pequena divertindo-se muito. Eu já estou exausta e não aguento mais ficar em pé depois de um dia exaustivo.

– Filha, está na hora de ir embora! (eu já conheço a figura, sei que lá vem bomba).

– Nããããão! Quero brincar mais um pouquinho, não quero ir embora!, diz a pequenina.

– Está bem filha, vamos brincar mais um pouquinho, e quando a mamãe disser que vamos embora novamente, você começa a dizer tchau, está bem, está combinado? (Dica: Para ser empática, peça para ir embora sempre um pouquinho antes do momento limite, pois já sabemos que vem mi, mi, mi).

Ela corre com um sorrisão sumindo na festa e gritando: – Combinaaaaaado!

(Dica: Exija sempre que a criança responda).

Espero um pouquinho (afinal, fizemos um combinado), e vou atrás da cria.

– Filha, está na hora de irmos, filha!

– Nãããão queeeeeero! E ela faz aquele corpo de macarrão mole que me dá nos nervos.

Mantenho a voz muito firme e digo: – Este é o combinado!!!!!!

E logo vejo ela se despedindo de todos.

Quando entramos no carro, verbalizo: – Obrigada filha por ter feito o combinado, agora chegaremos em casa, vamos escovar o dente, fazer xixi e cama, está bem? Combinado?

– Combinado, mamãe!

– Amanhã acordo você com um grande beijo e um abraço, e vamos tomar o café juntinhas. Te amo!

– Tá!, ela diz… rsrsrsrs…

Para resumir toda a história: AMOR, EMPATIA, DIÁLOGO E INTELIGÊNCIA EMOCIONAL!

Ah, talvez você me pergunte se minha filha nunca fez “mal criação, birra, ou sei lá o quê?! Sim, ela já fez, sim, ela já me deixou doida… Mas, com certeza, nesse dia eu também não estava empática, amorosa e a fim de papo.

Beijinhos a todas!

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