Rotina materna na volta ao trabalho

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Muito prazer! Sou uma mãe que também trabalha fora e quero compartilhar com vocês a minha experiência da rotina materna na volta ao trabalho.

Quando Francisco nasceu, eu tinha em mente uma certeza: que eu o amamentaria exclusivamente até o sexto mês, apesar de trabalhar fora. Mas como fazer isso? Bom, foi aí que eu comecei a pesquisar nos grupos do facebook, sites da internet e bancos de leites como deveria fazer a ordenha e o armazenamento do leite. Comprei uma bomba elétrica usada que me facilitou muito a vida, já que uma mãe que precisaria trabalhar fora e amamentar o seu bebê enquanto estivessem juntos, não poderia jamais perder “tempo”. A bombinha caiu como uma luva, pois me permitiu ordenhar o leite num seio enquanto amamentava o Francisco no outro.

Mas não é sobre como manter o aleitamento materno que quero falar com vocês hoje, pois já temos um ótimo texto sobre isso aqui no blog (veja aqui).

Hoje eu quero falar sobre a rotina!

Sim, a rotina deve ser pensada junto com a preocupação de garantir o aleitamento materno exclusivo, pois todo o esforço de armazenamento de leite dependerá também do bebê e do cuidador que irá realizar o manejo. Sabemos que cada bebê é único, assim como a família e seus arranjos. Cada mãe pode, de acordo com sua realidade, adaptar-se a uma rotina específica que incluirá o bebê e o cuidador nesse processo do retorno ao trabalho.

Durante os três primeiros meses do bebê, o principal cuidado envolve colo, carinho, atenção, afeto e o atendimento de todas as suas demandas. Esse período é chamado de “exterogestação” e também já falamos sobre isso aqui no blog (confira aqui).

A partir do terceiro mês, eu comecei a adaptar uma rotina que funcionou muito bem para a minha família e que usamos até hoje, baseando-me no sono do meu bebê. O Francisco sempre foi amamentado em livre demanda, ou seja, sempre que sentia necessidade. Comecei a observar os seus sinais nos três primeiros meses e por essa época já conhecia muito bem o meu filho, seus choros de fome, sono, irritação… Então elaborei uma rotina em que ele ficava cerca de 2 horas acordado e depois tirava uma soneca. Eu anotava a hora em que ele acordava (não rigidamente, é claro, pois como falei, cada família é única e cada dia é diferente) e amamentava-o nesse período em que estava acordado. Quando estava próximo ou um pouco além de 2 horas acordado e ele demonstrava sinais de sono, eu o fazia dormir novamente. Com isso, ele tirava três sonecas por dia. À noite a rotina incluía banho, baixa luz, massagem, quarto e amamentação.

Quando voltei ao trabalho, aos quatro meses e vinte dias de vida dele, ele já estava super adaptado a essa rotina, o que ajudou muito a minha mãe, que era a sua cuidadora.

A minha carga horária de trabalho era de 6 horas corridas por dia e, como temos o direito de sair para amamentar e o meu trabalho era bem próximo à casa de minha mãe, eu consegui manter o aleitamento materno exclusivo até os seis meses. Nossa rotina era então mais ou menos assim:

07:30h – saíamos de casa, chegávamos na minha mãe, eu amamentava e ia trabalhar. Eu entrava no trabalho às 08:00h;

08:30h/ 09:00h – primeira soneca do dia (duração de aproximadamente 50 min);

10:30h/ 11:00h – eu saía para amamentá-lo (demorava 30 min);

12:30h – ele tirava sua segunda soneca;

13:30h – eu saía do trabalho meia hora antes, pois ainda restavam 30 min de amamentação dos 60 min a que eu tinha direito.

Fiz isso durante até ele completar seis meses de vida e super funcionou. Francisco quase não chorava, pois tinha suas necessidades sempre atendidas: fome, sono, colo… Aos seis meses, iniciamos a introdução alimentar de forma gradativa e aí então eu comecei a ordenhar o leite, já que o meu filho demorou a aceitar os alimentos sólidos. Com a introdução alimentar, nossa rotina ficou:

07:30h – saíamos de casa, chegávamos na minha mãe, eu amamentava e ia trabalhar. Entrava no trabalho às 08:00h;

08:30h/ 09:00h – ele comia frutinhas antes da primeira soneca (aproximadamente 50 min);

10:30h/ 11:00h – ele comia o almoço (a partir dos 7 meses);

12:30h – ele tirava outra soneca;

13:30h – ele comia frutinha;

14:00h – eu saía do trabalho, ia buscá-lo na minha mãe e só o amamentava em casa, e retirava o leite ao mesmo tempo.

Fiz isso até 0s 13 meses dele, e quando a introdução alimentar já estava bem estabelecida, não precisava mais ordenhar o leite, mantendo o aleitamento sempre que estávamos juntos. Foi cansativo? Sim, foi! Mas a rotina me ajudou muito e penso que todo o meu esforço valeu a pena pelo bem maior do meu filho!

Hoje Francisco tem 2 anos e 4 meses e tira apenas uma soneca por dia. Fica seis horas longe de mim sem precisar de nenhum outro tipo de leite. Dorme tranquilamente, pois se habituou à rotina e ao seu horário para dormir à noite. Dorme por volta de 20:30h/ 21:00h e acorda às 06:00h, o que me ajuda muito a não me atrapalhar de manhã para sair para o trabalho, afinal não é fácil cumprir à risca toda a rotina de uma mãe que precisa trabalhar fora.

Muitas vezes nos indicam que durante o período de licença já devemos ir “treinando os bebês” a se acostumarem sem o colo, usando chupetas e bicos artificiais. Em vez disso, a minha dica é que vocês estabeleçam uma meta e criem uma rotina que funcione bem para o bebê e para toda a família já durante o período de licença maternidade. Isso trará mais estabilidade e segurança de que irão conseguir manter o aleitamento materno com sucesso, tanto para a mãe, quanto para o bebê. A rotina é a chave para o sucesso!

Boa sorte!

Beijos com carinho,

Lucilene

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  • Monique Da Silva Oliveira

    Que legal tua rotina! Eu com meu bebê de 2 meses e meio ainda não consigo saber porque ele chora… Chora muito! Dou peito sempre. Ele mama de mais, não tira soneca de dia, sempre adormece no peito, quando vou largar acorda e chora. Não consigo deixar ele sem peito mais que uma hora, e essa hora, boa parte é chorando desesperado. A noite, a única forma de dormir foi mamando das 19h até umas 23h, com pausas de 10min na troca de peito mais 90ml de complemento. Caso contrário, nada de sono antes das 2h e acordado de novo as 4h. Queria ter mantido excluisivo mas não consegui, não sei se não me organizei ou se ele precisa de muito mais do que sou capaz. Nem sei o que fazer quando for deixá-lo na escolinha.