SOCORRO! MEU FILHO NÃO SAI DO PEITO!

Arquivo pessoal da Autora

Arquivo pessoal da autora

Você não pode sentar que seu filho já vem pedir o “tetê”?

Não sabe o que é uma boa noite de sono porque ele acorda muito para mamar?

Acorda cansada e morrendo de vontade de comprar uma mamadeira?

Já se pegou pensando que esta tal da “livre demanda” é a pior coisa que já inventaram? Que sua sogra estava certa, que você o mimou com tanto “apego” que agora jamais conseguirá o  desmame natural?

Socorro! Meu filho não sai do peito!

Calma!

Não, o problema não é a livre demanda. Já foi mais do que comprovado que amamentar o bebê sempre que ele quiser é o melhor para o seu desenvolvimento físico e emocional. Mas o problema está nisso: quando ele quiser… Será que ele realmente quer? Primeiro, quero deixar claro que neste texto não estou me referindo a bebês pequenos, que ficam (e PRECISAM ficar) quase 24h grudados no peito nos primeiros meses de vida; esse é o momento da exterogestação e é de extrema importância para o crescimento e desenvolvimento do bebê (saiba mais aqui).

Bom, agora vamos lá!

Sempre falo que o peito é um super herói! E é mesmo. Ele resolve “quase” todos os problemas. Bebê tá chorando? Peito! Tá doente? Peito! Caiu? Peito! O famoso tetê é a solução para fome, sede, tédio, dores, carências e muitas outras necessidades. É, também, um jeito rápido e fácil de acalmar e, sim, de fazer nossos filhos felizes. Tão fácil que acabamos nos acostumando à dar sempre de mamar, sem nem perceber…

E até antes mesmo de tentar identificar o que aquele choro significa, nós já oferecemos o mamá salvador da pátria, porque sim, ele vai resolver. Muitas vezes nem era isso o que a criança realmente queria. Acabamos ficando acostumadas em oferecer o peito a toda hora, por comodidade, rapidez e até mesmo pelo cansaço do momento. E por saber que a criança só vai “sossegar” assim.

Mas se nós ficamos acostumadas, imagine nossos filhos, que são o nosso reflexo em tudo? É claro que eles também vão aprender a pedir o mamá sempre que estiverem desconfortáveis com alguma situação, isso é condicionamento. Eles não sabem quais são as soluções para os seus desconfortos, mas aprenderam que o peito sempre aparece para acalmá-los nessas horas. E até eles aprenderem a expressar os seus desejos de forma clara, somos nós que temos o papel de apresentar as alternativas possíveis para eles.

E uma das possíveis respostas a essas necessidades pode ser a simples refeição. Eu acredito que o desmame natural se inicia com a introdução alimentar, e para isso a criança precisa se interessar pelo maravilhoso “mundo da comida”. Mesmo que seu filho não coma muito, não deixe de oferecer opções saudáveis a ele: estipule uma rotina familiar fixa para todas as refeições, sente-se com ele, coma junto e curta a refeição. Faça com que ele veja que alimentação envolve não só a comida, mas também a família, a união, diversão e uma boa conversa (sem TV!). Envolva seu filho também no preparo dos alimentos, deixando-o brincar com a comida, com os utensílios de cozinha; vá mostrando e explicando cada passo do que você está fazendo. Isso tudo vai despertando mais e mais o interesse dele pela comida. E se, rotineiramente, você ofertar algum alimento no máximo a cada 3h, ele terá a chance de “matar” a fome não somente com o peito.

Outro ponto que pude observar na minha maternidade é que os bebês também acabam pedindo peito por tédio. Imagine você, em casa, sem nada para fazer, entediada numa tarde chuvosa… Aí você liga a TV e está passando AQUELE filme! Claro que você não vai querer fazer outra coisa,  a não ser que seja ainda mais interessante. Peito é assim também: às vezes eles querem mamar simplesmente porque não têm nada mais interessante para fazer, mas se você oferecer aquela brincadeira que o seu filho ama, por exemplo, provavelmente ele fará a “troca” rapidinho.

É tentar enganar? Não! Você só está apresentando alternativas a ele, e mesmo assim continuando com a livre demanda. Com o tempo, e um bom treinamento diário, você vai conhecer ainda melhor o seu filho, reconhecer os sinais que ele transmite e identificar o que ele realmente está querendo naquele momento. Não é mágica, é aprendizado! E tem horas que não adianta mesmo, só o peito vai funcionar, mas nessas horas você estará mais disposta a amamentar e a curtir o momento.

Enfim, eu acredito que criar com apego, amamentar em livre demanda e esperar um desmame natural é possível sim! Mas, assim como tudo na maternidade consciente, exige esforço, paciência e força, até mesmo para dizer às vezes “tchau mamá, agora não!”.

Um beijo,

Liana

Share Button
  • Nadinne Andrade

    nossa, muito obrigada, eu estava maluca já procurando algum blog com uma postagem consciente, e direcionada aos bebês maiores de um ano. Eu amamento em livre demanda, e nao quero “tirar” o peito da minha filha, mas queria diminuir a amamentação e o seu texto ajuda muito!!
    OBRIGADA!

    • Simone De Carvalho

      Nadinne querida, ficamos feliz que tenha encontrado uma resposta para sua dúvidas. Um grande prazer para todas nós! Beijo com carinho,

  • Cléo

    Nossa adorei!
    Mais e quando a criança recusa a alimentação? Meu filho não come nada. Não experimenta, cospe, tira da boca com as mãos. Ele não tem outra fonte de alimentos. Já não sei o que fazer.

  • Cléo

    Meu filho tem 1 ano e 6 meses é muito apegado a mim. Não aceita nenhum alimento e agora quer mamar o tempo todo. A noite quer o peito pra dormir e usar como chupeta. Tenho muito prazer em amamenta-lo mais sei que já está fazendo mal a ele pela dependência que está causando. Ele não come nada. Me aconselharama tirar o peito de vez, pra que ele sinta fome e aceite os alimentos. Mais sei que vai ser muito difícil ve-lo chorar. Por favor me ajude!