Sharenting, você sabe o que é?

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Foto: Google Images

Sabe aquela mãe ou aquele pai que conta TUDO o que acontece com seus filhos nas redes sociais? Não apenas os marcos ou algumas fotos das férias, ou o vídeo das primeiras palavras, ou de quando começou a engatinhar, mas os detalhes constrangedores do que é crescer? Todo mundo tem escondida uma foto que não quer que mais ninguém veja. Já pensou se ela é postada antes mesmo de você poder decidir isso? Pois, isso é “sharenting“.

O termo é a junção das palavras em inglês “sharing” (compartilhar) e “parenting” (criação materna, paterna). Mas qual seria o limite e quais os riscos de compartilhar a vida do seu filho na internet e nas redes sociais? Existe também a expressão “oversharenting“, ou seja (compartilhar além da conta).

Existem várias questões envolvidas. A mais importante seria o direito à privacidade. A maioria dos pais nem pensa nisso e tem a ideia – que tem se mostrado falsa – de que aquelas informações ou fotos vão ficar restritas a um pequeno grupo de amigos.  O que para um adulto é hilário, pode ser extremamente constrangedor para uma criança de 9 anos, ainda mais quando os colegas de escola tem acesso à informação.

Essa exposição leva ao problema seguinte: a segurança. Para muitos este é o motivo que as convence a pensar duas vezes antes de postar qualquer coisa referente aos filhos, online.

Recentemente uma pesquisa divulgou que cerca da metade das fotos encontradas em sites de pedofilia foram colocadas online pelos próprios pais e são fotos comuns, do cotidiano das crianças e que para a maioria dos adultos não tem qualquer conotação sexual. Um exemplo? Fotos de uma criança sentada desenhando, ou ainda, abrindo os presentes de Natal. Segundo a ONG responsável pelo estudo, o problema fica claro quando se leem os comentários.

Isso acontece sem que a maioria dos pais saiba onde a foto foi parar e sem qualquer consequência mais grave. O que acontece quando a criança é reconhecida na rua por um pedófilo? Ou quando a criança pode ser facilmente localizada por pequenos, ou nem tão pequenos assim, detalhes nas fotos? O uniforme da escola, ou a fachada de um prédio… detalhes da rotina…

Nas redes sociais e nos blogs muitas mães e pais encontram compreensão, recebem dicas e por vezes, encontram a solução. Quantos de nós, em momentos de angústia extrema, no meio da madrugada, encontramos o que precisávamos de um completo desconhecido? O que, antes se conversava na pracinha ou ainda nas reuniões familiares, quando as famílias eram enormes. Por que quando eram 10, 15, 20 filhos os mais, velhos aprendiam vendo os mais novos e estes com os sobrinhos… Essa troca agora acontece no espaço virtual e ela é positiva, mas é preciso limites.

Recentemente, o excesso de sinceridade de alguns pais on line chocou inclusive especialistas. Quer um exemplo? Mesmo que um filho seja o favorito é preciso dizer isso para outra pessoa que não seu psicólogo? Os problemas de peso do seu pre-adolescente devem ser discutidos em um post no seu blog? Nada é real do outro lado da tela, porque a vida do seu filho deveria ser? Existem várias maneiras de compartilhar as alegrias que eles nos trazem e até mesmo as preocupações sem expor de maneira tão óbvia os filhos.

E sim, ainda tem mais: as vezes nem são os próprios pais que compartilham os detalhes, familiares e amigos próximos também fazem. Professoras nas escolas, babás, também. E, a maioria não pergunta e se ofende quando os pais pedem para não fazer.

Na própria internet é possível encontrar dicas de como tornar a navegação na internet mais segura, as dicas são para crianças e adolescentes, mas valem para os adultos também. Aqui e aqui.
O Comité Gestor da Internet no Brasil também mantem uma página com essa finalidade,  CERT e na Safernet além de dicas de segurança é possível fazer denuncias e receber atendimento online para duvidas.

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