Porque a barganha não funciona na educação dos filhos

barganha na educação dos filhos

“Filho, se você comer toda a comida, vai ganhar um chocolate!”, “Se fizer a lição, te deixo jogar vídeo game por 3 horas”, “Se tirar boas notas, vou te levar para um passeio incrível.”

Quantas vezes você já utilizou desses “artifícios” para conseguir que seus filhos fizessem algo que você queria, mesmo sabendo que era para o bem dele e não apenas para o seu? Hoje vou falar sobre como conseguir que nossos filhos façam aquilo que desejamos sem que precisemos lançar mão da famigerada barganha.

O uso da barganha tornou-se uma ferramenta bastante utilizada, que inicialmente até pode surtir algum efeito, porém, mostra-se ser uma grande armadilha na educação das crianças. Enquanto os adultos se esforçam para coagirem as crianças, elas estão ali, esperando que a recompensa oferecida seja suficiente o bastante para encorajá-las a começar, e a tarefa acaba deixando de se tornar uma obrigação para se tornar um meio para conseguir algo que deseja. Desta forma, a criança passa a utilizar seu “poder” para conseguir recompensas cada vez maiores e os pais se veem cada vez mais encurralados, se desesperando quando já não conseguem mais aumentar a o montante da “premiação”. Onde ficou a autoridade do pai e da mãe? Há crianças que chegam a perguntar o que ganharão caso façam aquilo que pais estão pedindo naquele momento. Não soa como uma espécie de rivalidade, onde quem ganha é o mais forte? E sabe quem acaba sendo o mais forte? Pois é…

Broncas, gritarias, castigos, punições, são artifícios completamente desnecessários se soubermos mostrar às crianças as relações de causa e efeito que cada ação tomada pode gerar e tudo isso já desde bem pequenininhos. A partir dos 2 anos, 2 anos e meio, a criança já tem capacidade de compreender e assimilar os efeitos das próprias escolhas e entender o que os pais estão querendo ensinar, sempre pautadas é claro, no espelho e no exemplo dentro da própria casa, pois de nada adianta dizer à criança, por exemplo, que ela precisa comer alimentos saudáveis, se você não faz o mesmo. As crianças observam tudo!

Um dos melhores caminhos é mostrar à criança que ela pode ter escolhas e que cada uma das escolhas poderá surtir um efeito, seja ele benéfico ou não naquele momento. Por exemplo, se você diz à criança: “Você pode fazer a lição agora e ficar com a tarde livre para brincar com seus amigos, ou você pode ficar enrolando para fazer a lição e não sobrar tempo para brincar, o que você prefere fazer?”. Nesse caso, você torce para ela escolher a primeira opção, é claro, mas note que a escolha é dela e independente do que ela escolher, não mude jamais de ideia ou “afrouxe” nas escolhas que ela mesma fizer. Quando os pais são firmes, a criança sente-se segura e mesmo quando aborrecida por uma escolha que ela percebeu não ter sido a melhor, podemos ajudá-la a enfrentar e encarar uma próxima escolha com maior reflexão, juntos.

Vocês acreditam que uma criança, independente da idade, ficará mesmo pensando sobre os “erros cometidos” num cantinho da reflexão ou no próprio quarto? Claro que não. A criança precisa saber que regras são para serem cumpridas (sem grandes exageros, ok pais?), como banho, alimentação, vestimenta, organização dos brinquedos, hora de fazer a lição e dormir, entre outras, e que tudo isso é para o próprio bem delas. Elas só precisam saber e entender os porquês. Isso as ajudará para o resto de suas vidas, seja com estudo, trabalho, vida familiar, amigos. Onde há repreensão, brigas, castigos, não há espaço para educação de qualidade. O mundo já está cheio de pessoas que consideram que base de tudo é ter vantagens, manipular e viver na irresponsabilidade.

Saber lidar com frustrações e comemorar vitórias, é algo que desde cedo podemos transmitir às crianças e poderá fazer delas, adultos mais fortalecidos, conscientes, humanos e preparados. Pense sobre isso. Seja firme, tenha paciência (sim, quem disse que não é preciso paciência, mentiu) e principalmente, transborde muito, mas muito amor.

Um abraço!

Priscilla T. Brandeker

Psicóloga (CRP 06/123945)

Share Button