Livre demanda ou horário bem definido?

aleitamento materno

Toda mãe, em algum momento dos primeiros seis meses de vida do bebê, vai escutar que deve estabelecer horário e tempo para as mamadas. Infelizmente, o conceito da livre demanda parece não ter chegado a muitas maternidades e consultórios médicos. Acho que não foram poucas as mães que escutaram na maternidade que pelos próximos meses aquela pequena criatura que ela carregava nos braços iria se impor e mandar na sua vida, como se fosse um verdadeiro tirano.

A verdade é que durante o período de aleitamento materno exclusivo (de 6 meses, de acordo com a Organização Mundial de Saúde), a procura pelo seio materno é maior, já que o bebê está em meio do processo de crescimento, desenvolvimento e maturação do intestino, e o leite materno desempenha papel fundamental nesses processos. O leite materno é um organismo vivo e se adapta sempre à demanda do bebê: o primeiro leite que sai da mama é mais rico em água, e portanto sacia a sede, enquanto o segundo leite é mais concentrado, saciando a fome.

A livre demanda possibilita a regulação do bebê sobre a sua saciedade (quantidade) e também sobre a qualidade do leite ingerido. Quando a mãe permite que o bebê faça esta autorregulação, mamando sempre que solicitar (sendo através do choro ou não), o bebê tem a possibilidade de ir regulando aos poucos o tamanho da sua fome e qual a quantidade que necessita mamar ao seio para saciá-lo. Nos primeiros três meses a procura é ainda maior, pela própria necessidade de crescimento e desenvolvimento, e também porque o seio materno proporciona conforto emocional nessa fase de adaptação ao mundo exterior ao útero.

O choro é um sinal tardio fome do bebê e, pode significar outras necessidades também importantes. Então interpretar que todo choro é fome, pode ser um erro e confundir oreal processo da livre demanda.

Após este período, geralmente o bebê já se torna eficiente nas mamadas, e mama em períodos de tempo mais curtos, sabendo exatamente o quanto mamar e a duração das mamadas. Além disso, quando ele tem a possibilidade de mamar nos dois seios, ele aproveita todas as fases do leite de forma integral. A natureza é tão sábia que, ao mesmo tempo, o corpo da mãe também aprende a regular a produção de leite de acordo com as mamadas do bebê.

Ao estabelecer horários definidos e intervalos rígidos entre as mamadas, tanto o corpo da mãe quanto o bebê perdem essa grande oportunidade de autorregulação. O mesmo também ocorre quando os bebês são alimentados através da mamadeira, pois eles podem perder a sensibilidade necessária para perceber a saciedade, e como não controlam o volume de leite oferecido, podem  acabar mamando além do que necessitam.

O mecanismo de mamada no seio materno é tão perfeito que quando o bebê interrompe a sucção, o fluxo de leite é interrompido imediatamente; isto proporciona ao bebê o controle exato sobre a quantidade de leite que ele realmente necessita mamar e favorece a prevenção da obesidade no futuro. O leite materno tem também a função de transmitir para o bebê informações sobre o sabor dos alimentos e, quanto mais saudável for a dieta da mãe, mais chances este bebê terá de, no futuro, aceitar uma alimentação complementar variada e natural.

 Por Simone de Carvalho

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