10 dicas para manter o aleitamento materno após a volta ao trabalho

 

Arquivo Pessoal: Camila Fernandes

Arquivo Pessoal: Camila Fernandes

O período que antecede o retorno ao trabalho é, em geral, de grande tensão e expectativa para as mães que querem continuar amamentando. Grande parte das mulheres brasileiras trabalha fora, e por isso é importante que elas se prepararem adequadamente para esse momento. E é natural que surjam muitas dúvidas e inseguranças, já que não é nada fácil lidar com o distanciamento do bebê e ainda estabelecer uma rotina de trabalho e de cuidados com a casa e com os filhos mais velhos.

Cada mãe possui uma rotina de trabalho e, por isso, o tempo em que mãe e bebê permanecerão separados vai determinar a quantidade de leite a ser ordenhada, armazenada e oferecida ao bebê. A boa notícia é que grande parte dessas frustrações pode ser evitada quando nos organizamos para que esse processo ocorra de forma harmoniosa e tranquila. Paciência e determinação são peças chave de todo o processo, e juntos, você e seu bebê, são capazes de encarar esse desafio. Para ajudá-las e empoderá-las, listamos 10 dicas para manter o aleitamento materno após a volta ao trabalho:

1) Escolha a maneira de ordenha que seja mais adequada às suas necessidades e pratique: A ordenha manual é a melhor forma de se realizar a extração do leite materno para ser oferecido ao bebê. Mas ela exige bastante prática e nem todas as mulheres têm paciência para realizá-la. Para aprender a fazer a ordenha manual, a melhor opção é procurar o banco de leite mais próximo da sua casa. Este vídeo aqui também ensina como fazer esse tipo de ordenha. Em alguns casos, uma bomba extratora manual ou elétrica pode ser uma boa alternativa para a mãe e, se esse for o seu caso, experimente diferentes modelos para descobrir qual deles se adapta melhor à você. Em ambos os tipos de ordenha, não se esqueça de praticar muito!

2) Inicie a rotina de ordenha com certa antecedência para que seu corpo possa se ajustar à nova demanda: Sabemos que a produção do leite materno é determinada pela demanda, ou seja, quanto mais vezes o bebê esvazia a mama, mais o corpo entende que uma quantidade maior de leite precisa ser produzida. A lógica é simples: temos de treinar nosso corpo por meio do estímulo frequente da ordenha para que ele se adeque à nova demanda.

É importante saber: é bem possível que saia pouco volume de leite nas primeiras tentativas de ordenha e isso é absolutamente normal. Com uma rotina de ordenha bem estabelecida, o volume de leite ordenhado aumenta progressivamente.

 

3) Converse com seu chefe e exponha seu desejo de continuar amamentando: Amamentar não é capricho e lançar mão de bons argumentos junto à empresa pode sim trazer bons frutos. Muitas vezes, para que nossa cultura mude, é necessário darmos o primeiro passo e pequenas mudanças hoje podem fazer uma grande diferença amanhã. Conquistar um espaço na geladeira do escritório já é um bom começo.

Bebês amamentados com leite materno adoecem menos, e isso certamente tem um reflexo positivo no desempenho e na assiduidade da mãe no trabalho.

4) Mantenha a rotina de ordenha no trabalho: Toda mãe tem direito a dois períodos de 30 minutos cada durante o seu turno de trabalho até que o seu bebê complete seis meses de idade, e esses períodos podem ser utilizados tanto para a realização da ordenha, quanto para amamentar diretamente o seu bebê. Se o bebê permanecer próximo ao seu local de trabalho, use esses períodos para amamentá-lo, afinal, mamar “direto da fonte” é sempre melhor! Caso isso não seja possível, ordenhar o leite no trabalho ajuda a manter a sua produção estável e a aumentar o seu estoque de leite materno.

5) Preste atenção às condições de higiene: Além de aprender a ordenhar, deve-se também estar sempre atenta à higiene e à conservação do leite, tanto durante a extração, quanto na hora de oferecê-lo ao bebê. O Ministério da Saúde elaborou uma cartilha que apresenta de maneira detalhada como isso deve ser realizado e também traz informações importantes sobre seus direitos como mãe e trabalhadora.

6) Congele o leite em pequenas porções: É difícil definir a quantidade de leite a ser deixada para o bebê. Por isso, armazená-lo em pequenas porções (por exemplo, 60 ml) permite que pouco ou quase nenhum leite seja desperdiçado. Desta forma, com o tempo, a quantidade ideal vai sendo naturalmente estabelecida. A média é de 120 a 180 ml por mamada. Esse volume pode variar, e quem define isso acaba sendo o bebê, bem como o tempo de intervalo entre as mamadas.

7) Evite o uso de bicos artificiais: É mais do que comprovado que os bicos artificiais das chupetas, mamadeiras e protetores de silicone atrapalham a amamentação, por isso recomenda-se que esses bicos não sejam oferecidos ao bebê. Atualmente, acredita-se que o melhor método de oferta do leite materno na ausência da mãe seja através de um copinho. Colheres e xícaras pequenas também podem ser utilizadas.

1001810_508490762556017_1540776511_n

Arquivo Pessoal: Camila Fernandes

8) É importante treinar a oferta do leite ordenhado pelo cuidador: É muito comum observarmos rejeição por parte dos bebês nas primeiras vezes em que o leite materno é ofertado em outro lugar que não o peito. Tudo é muito novo para o bebê e o cuidador precisa ter muita calma e perseverança durante todo esse processo de aprendizagem. Para entender como a oferta do leite materno pode ser feita utilizando-se o copinho, clique aqui.

9) Antecipe-se aos sinais de fome do bebê: A oferta do leite ordenhado no copinho ainda gera muita insegurança nos pais e cuidadores, e uma dica bastante importante para o sucesso desse aprendizado é ofertar o leite antes que o bebê demonstre sinais de fome, como levar as mãos à boca ou chorar. Com o bebê tranquilo, o processo se torna muito mais fácil para o cuidador e para o bebê, evitando o desperdício e garantindo uma ingestão mais efetiva de leite.

10) Mantenha a livre demanda nos momentos em que você e o bebê estiverem juntos: Além de proporcionar um momento único entre vocês, a oferta do leite materno no seio em livre demanda mantém a sua produção láctea e garante que seu o bebê continue a receber o melhor alimento para ele.

A licença-maternidade para a maioria das mulheres no Brasil é de 120 dias (cerca de 4 meses), por isso é extremamente importante se organizar para que o bebê receba apenas leite materno durante os primeiros 6 meses de idade, como preconizado pelos principais órgãos de saúde. Somente após os 6 meses do bebê é que se deve dar início à introdução de novos alimentos.

Beijos e boa sorte!

Share Button